26/10/2026
Inteligência tributária pode evitar sufoco operacional e blindar o caixa das empresas em nova fase da Reforma Tributária

Com o fim do uso de impostos como capital de giro informal pelo split payment, a tecnologia tributária torna-se vital para manter a liquidez dos negócios

A implementação da Reforma Tributária trará uma das maiores transformações no fluxo de caixa das empresas brasileiras com a introdução do split payment (divisão de pagamento). Nesse modelo, instituições financeiras e meios de pagamentos vão separar automaticamente o imposto no ato da compra, repassando-o direto ao Fisco. Embora o novo modelo de arrecadação prometa combater a sonegação e agilizar os créditos tributários, ele elimina de vez a possibilidade de uso temporário desses valores como capital de giro.

Antes mesmo do início obrigatório do split payment, previsto para 2028, as organizações terão alternativas para o recolhimento da CBS e do IBS de forma facultativa. A partir de janeiro de 2027 passa a ser adotado o RAD (Recolhimento pelo Adquirente), uma ferramenta de transição criada para a implementação gradual do modelo. O RAD permitirá que o comprador faça o recolhimento manual dos tributos ao Fisco, pagando ao fornecedor apenas o valor líquido da operação para garantir, assim, o seu crédito tributário.

Essa virada de chave trará um forte impacto nos negócios. "O principal desafio não é fiscal, mas cultural e operacional. Historicamente, empresários usam impostos como capital de giro informal. Com o RAD e o split payment, esse dinheiro é recolhido na fonte e deixa de entrar no caixa, extinguindo essa liquidez temporária e gerando um sufoco operacional imediato", explica Edinilson Apolinario, CBO da AG Taxtech, empresa referência em inteligência tributária e gestão fiscal.

Nesse cenário desafiador, Apolinário alerta que a inteligência tributária é vital para a sobrevivência do negócio. Sem softwares de modelagem fiscal e Inteligência Artificial, as organizações correm o risco de ter créditos adiados e recursos travados. Segundo ele, a tecnologia torna-se indispensável para simular impactos no caixa, auditar documentos em tempo real e monitorar a regularidade fiscal de fornecedores.

"Essa mudança estrutural forçará os executivos a revisarem novos projetos, planos de expansão e a própria gestão do fluxo de caixa, já que o financiamento de curto prazo ficará mais escasso e caro. Com o split payment e o RAD, as empresas que não se planejarem e não utilizarem a inteligência tributária e a modelagem fiscal preditiva para blindar suas operações ficarão reféns do crédito bancário e de juros altos", enfatiza Apolinario.

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