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Construir uma carreira dentro de uma grande empresa deixou de significar, necessariamente, permanecer nela até o fim da vida profissional. Experiência, reputação, rede de contatos e conhecimento acumulados ao longo dos anos passaram a ser usados por profissionais para criar negócios próprios e buscar maior autonomia. No Brasil, 25,5% da população ocupada trabalhava por conta própria no primeiro trimestre de 2026, segundo o IBGE.
É nesse movimento que se insere a nova fase de Felipe Folli, palestrante, empresário, comunicador, apresentador, escritor e fundador da Folli Holding, estrutura criada para reunir iniciativas empresariais e projetos de educação e comunicação.
Depois de quase 15 anos de trajetória na televisão, incluindo aproximadamente seis anos na Band São Paulo, o comunicador passou a concentrar maior parte de seus esforços no empreendedorismo, em palestras, treinamentos e projetos próprios ligados à comunicação, posicionamento, liderança, vendas e negócios.
A mudança não representa o abandono da atuação como apresentador, mas uma reorganização da carreira para transformar o repertório construído diante das câmeras em ativo para novas frentes profissionais.
"Durante muitos anos, a televisão foi uma parte central da minha trajetória. No empreendedorismo, a responsabilidade muda porque você passa a responder diretamente pelo seu posicionamento, pelas decisões comerciais e pelo negócio que está construindo. A comunicação deixa de ser apenas uma habilidade profissional e passa a fazer parte da estratégia", afirma Folli.
Quando a reputação profissional passa a trabalhar pelo negócio
A decisão de concentrar esforços nos próprios projetos ocorre enquanto a exposição de fundadores, executivos e especialistas ganha espaço nas estratégias de negócios. O relatório B2B Thought Leadership Impact Report 2025, elaborado pela Edelman em parceria com o LinkedIn a partir de uma pesquisa com quase 2 mil profissionais em cargos de gestão, aponta que conteúdos produzidos por especialistas podem influenciar inclusive profissionais que participam de decisões de compra sem aparecer diretamente no processo comercial.
O levantamento ajuda a dimensionar por que reputação, posicionamento profissional e comunicação passaram a ocupar uma função que vai além da visibilidade. Para quem deixa uma estrutura corporativa e passa a empreender, o nome construído durante a carreira pode abrir portas, mas também exige que o profissional assuma responsabilidades que antes estavam distribuídas entre diferentes áreas de uma organização.
"Quando você está dentro de uma grande empresa, existe uma marca que também fala por você. No empreendedorismo, é preciso construir essa percepção todos os dias. Quem não se posiciona é posicionado. Hoje, vejo a comunicação como parte do crescimento do negócio, porque o empresário também precisa saber explicar quem é, o que faz e por que aquilo tem valor", diz Folli.
Essa lógica se aproxima do conceito de founder led growth, estratégia na qual a presença e a comunicação do fundador participam da construção de marca, autoridade, relacionamento e geração de oportunidades. No caso de Folli, a experiência diante das câmeras passa a ser utilizada em palestras, mentorias, treinamentos, conteúdos e produtos voltados principalmente a empresários e profissionais que precisam comunicar ideias e propostas de valor.
O que muda quando o crachá deixa de falar pelo profissional
A passagem de uma grande organização para o empreendedorismo também altera a forma como o profissional se apresenta ao mercado. Dentro de uma companhia conhecida, parte da credibilidade, da estrutura comercial e do acesso a oportunidades está associada à própria empresa. Fora dela, experiência e rede de relacionamentos continuam relevantes, mas precisam ser convertidas em uma proposta que consiga se sustentar independentemente do antigo cargo.
Para Folli, essa foi uma das principais mudanças percebidas na transição. A trajetória construída na televisão permanece como parte de sua identidade profissional, mas deixou de ser o centro de sua atuação. Ele segue trabalhando como apresentador em eventos, convenções e projetos corporativos, enquanto amplia a dedicação às atividades empresariais e às palestras.
"Quando você sai de uma estrutura conhecida, percebe que o currículo abre algumas portas, mas não constrói o negócio sozinho. É preciso tomar decisões, vender, criar relacionamento, assumir riscos e mostrar ao mercado pelo que você quer ser reconhecido a partir dali. A experiência anterior ajuda, mas existe uma nova história que precisa ser construída", afirma.
Esse processo também impõe uma mudança de perspectiva para quem passou anos se especializando dentro de uma organização. Conhecimento técnico, capacidade de liderança, contatos e reconhecimento profissional podem se tornar ativos para empreender, mas não substituem competências ligadas à gestão, à geração de receita e à tomada de decisão.
No caso de Folli, experiências anteriores em negócios de diferentes segmentos contribuíram para que a mudança não começasse do zero, e a nova etapa concentra maior atenção em projetos relacionados à comunicação e ao desenvolvimento de negócios.
Para profissionais que consideram fazer movimento semelhante, a trajetória também levanta uma questão que vai além de simplesmente trocar um emprego por uma empresa própria. Sair de uma organização significa deixar parte da estrutura que sustentava aquela posição e descobrir quais competências, relações e conhecimentos continuam tendo valor quando passam a carregar apenas o nome do próprio profissional.
"Empreender depois de uma carreira consolidada não significa jogar fora o que veio antes. É entender o que você aprendeu, o que construiu e como isso pode ser colocado a serviço de uma nova etapa. A diferença é que agora as decisões e a responsabilidade pelo caminho são suas", conclui Folli.
Sobre Felipe Folli
Felipe Folli é palestrante, empresário, comunicador, apresentador e escritor. Com quase 15 anos de trajetória na televisão, incluindo aproximadamente seis anos na Band São Paulo, realiza palestras e treinamentos corporativos em todo o Brasil sobre comunicação, posicionamento, liderança e vendas. É autor do livro Destrave de Vez o Poder da Sua Comunicação e apresenta os podcasts Pod Tudo e + Um Pouco e Comunicação Fora de Série. Fundador da Folli Holding, também desenvolve projetos ligados à educação, comunicação, mercado de palestras e founder led growth.
Sua trajetória empreendedora reúne experiências em diferentes segmentos, com passagem pelo setor de alimentação, atuação em hospedagem de curta temporada e sociedade na Feros Empilhadeiras, dedicada à compra, venda e locação de equipamentos. Essa vivência nos negócios também integra sua atuação como comunicador e palestrante, especialmente nas discussões sobre posicionamento de fundadores, construção de autoridade e comunicação aplicada ao crescimento empresarial.
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