20/10/2026
Simples Nacional: opção pelo regime híbrido exige análise do perfil dos clientes e da carga tributária

Modelo pode ampliar créditos de IBS e CBS para clientes empresariais, mas aumenta a complexidade fiscal e pode elevar o custo tributário. Prazo termina em 30 de outubro

Migrar ou não migrar para o Simples Híbrido é uma das principais dúvidas entre pequenas e médias empresas enquadradas no Simples Nacional. O prazo, anteriormente previsto para 30 de setembro, foi prorrogado para 30 de outubro, conforme a Resolução CGSN nº 194/2026, e a opção valerá para o primeiro semestre de 2027.

Segundo João Yanase, contador, economista, mestre em Contabilidade e Finanças e professor da Trevisan Escola de Negócios, a análise começa pela natureza da atividade - indústria, comércio ou serviços - e pela identificação do público atendido. Empresas com vendas predominantemente para outras pessoas jurídicas tendem a observar efeitos diferentes daqueles enfrentados por negócios voltados ao consumidor final.

"A escolha não deve ser feita apenas com base no crédito que será transferido ao cliente. É necessário simular toda a cadeia, incluindo os créditos das aquisições, o imposto devido nas saídas e o custo adicional de conformidade", afirma.

Perfil dos clientes é decisivo

Os clientes podem ser classificados em dois grupos: B2B (Business to Business), quando a venda é realizada para outras empresas, para comercialização ou industrialização; e B2C (Business to Consumer), quando a venda é destinada ao consumo.

Essa distinção é importante porque, de acordo com a reforma tributária em andamento (LC 214/2025), o consumidor final é quem fica com a carga tributária final.

No processo de migração, além dos tributos pagos pelo optante do Simples Nacional por meio do DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional), a empresa pagará CBS e IBS fora do documento. No primeiro semestre de 2027, a alíquota deve ficar entre 9% e 10%.

Se os clientes forem B2B, eles poderão se creditar desse imposto adicional pago pela empresa optante pelo Simples Híbrido. Ao mesmo tempo, a própria empresa também poderá aproveitar créditos de CBS e IBS incidentes sobre suas compras destinadas à industrialização ou à revenda. Ainda assim, em geral, haverá CBS e IBS a pagar.

À primeira vista a migração para o Simples Híbrido tende a beneficiar a empresa principalmente sob o aspecto comercial, ao oferecer vantagens aos clientes relacionadas a créditos tributários adicionais. Vale lembrar que, mesmo sem a migração, o optante pelo Simples Nacional pode gerar créditos tributários aos seus clientes, como o ICMS.

O que deve entrar na avaliação

Antes de optar pelo regime híbrido, a recomendação é verificar:

"Não existe uma resposta única para todas as empresas. A alternativa mais apropriada depende da cadeia comercial e do resultado de uma simulação completa, feita com dados reais do negócio", conclui Yanase.

Comparativo resumido

Critério

Tradicional: IBS e CBS no DAS

Híbrido: IBS e CBS fora do DAS

Simplicidade operacional

Maior

Menor

Crédito para cliente pessoa jurídica

Menor

Maior

Controle fiscal

Mais simples

Mais complexo

Carga tributária

Em geral, menor

Pode ser maior

Perfil potencial

Operações voltadas ao consumidor final (B2C)

Operações entre empresas (B2B)

Sobre a Trevisan Escola de Negócios

Com uma trajetória de 25 anos marcada pelo pioneirismo, excelência acadêmica e compromisso com a formação de profissionais altamente capacitados, a Trevisan Escola de Negócios é uma das principais instituições de ensino superior do País. Seus cursos de graduação, pós-graduação e de curta duração possuem alunos em todos os estados do Brasil, além do exterior, com uma metodologia exclusiva e 100% digital. Além disso, possui dezenas de clientes corporativos que contratam a Trevisan para capacitar seus profissionais em programas "in company". A instituição é a única escola de negócios do Brasil que teve origem a partir de uma empresa. Diante disso, conta com um corpo docente formado por professores com atuação no mundo dos negócios, além do acadêmico, criando um ambiente de aprendizado alinhado com a realidade empresarial. Essa característica também está presente na Trevisan Editora, criada para lançar publicações que mesclam o embasamento teórico com o mercado profissional.

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