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A relação entre Brasil e Europa passa por um novo momento. Com a entrada em aplicação provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia, empresas dos dois lados ganham novas possibilidades de aproximação e expansão. Para companhias espanholas que olham para a América Latina, o Brasil reúne oportunidades em diferentes setores, mas também exige atenção às características do mercado e às regras locais.
A dimensão dessa relação ajuda a mostrar a importância desse movimento. Em 2025, o comércio de bens entre Brasil e União Europeia chegou a US$100 bilhões, o equivalente a 16% de todo o comércio exterior brasileiro, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Para Alejandro Gomez Gil, diretor da Câmara Espanhola, que acompanha iniciativas de internacionalização e a relação empresarial entre os dois países, o Brasil continua sendo um mercado estratégico para companhias espanholas que desejam crescer na América Latina. A partir da experiência da Câmara, ele lista cinco fatores que ajudam a explicar essa atratividade:
1. O tamanho do mercado abre espaço para diferentes negócios
"O Brasil é um mercado de grande escala e pode representar uma oportunidade importante para empresas que desejam ampliar sua presença na América Latina. A diversidade da economia também permite que companhias de diferentes setores encontrem possibilidades de atuação, desde grandes projetos de infraestrutura até soluções em tecnologia e serviços. É preciso olhar para o Brasil como um mercado diverso. Conhecer as características dos setores, dos consumidores e das diferentes regiões ajuda a empresa a entender onde sua solução pode fazer mais sentido e como estruturar sua entrada", explica Gomez Gil.
2. Infraestrutura ainda concentra grandes oportunidades
"O Brasil ainda tem uma agenda importante de infraestrutura e modernização, que abre espaço para investimentos, tecnologia e novas soluções em diferentes áreas. Ao mesmo tempo, é um mercado que exige visão de longo prazo e capacidade de compreender a dinâmica local. Para as empresas que conseguem combinar experiência internacional com conhecimento do ambiente brasileiro, existem oportunidades relevantes de atuação e parceria", afirma o diretor.
3. A transição energética cria novas possibilidades
"A transição para uma economia mais sustentável é um dos temas que mais vêm aproximando empresas espanholas e brasileiras. Há uma agenda ampla envolvendo energias renováveis, descarbonização, economia circular e eficiência energética, e a troca de experiências entre os dois mercados pode acelerar projetos e gerar novas oportunidades de negócio. É um movimento que vai além de uma tendência e deve ganhar cada vez mais relevância nas decisões empresariais e nos investimentos", destaca.
4. Tecnologia e inovação ampliam as oportunidades
"A tecnologia amplia as possibilidades de colaboração porque permite que empresas e especialistas conectem experiências, conhecimentos e soluções desenvolvidas em diferentes mercados. O desafio está em transformar essa troca em aplicações que façam sentido para cada realidade. Muitas vezes, a inovação não está apenas em criar algo completamente novo, mas em adaptar boas práticas e tecnologias às necessidades específicas de cada país", destaca Gomez Gil.
5. Conhecer o ambiente de negócios é fundamental
"Entrar em um novo mercado exige preparação. No caso do Brasil, conhecer a legislação, a tributação, as regras de comércio exterior e a própria dinâmica dos negócios é essencial para que a empresa consiga tomar decisões mais seguras. Quanto melhor for essa preparação e o entendimento do contexto local, maiores são as chances de reduzir riscos e construir uma operação sustentável no longo prazo", afirma Gomez Gil.
Sobre a Câmara Espanhola
A Câmara Espanhola reúne empresas espanholas e brasileiras, atuando na aproximação dos ecossistemas empresariais dos dois países. A instituição trabalha em três frentes principais, networking, exposição de marca e conhecimento e mantém comitês temáticos de internacionalização, marketing e comunicação, infraestrutura e energia, ESG, tecnologia e inovação, gestão de pessoas, jurídico e tributário.
A entidade também produz conteúdos técnicos para empresas interessadas em atuar nos dois mercados, incluindo o Guia "Como Fazer Negócios no Brasil", atualizado periodicamente, além de publicações sobre internacionalização, tributação, infraestrutura, energia, ESG e devida diligência.
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