24/09/2026
Seu precatório foi liberado? Cuidado: golpe pode começar com dados reais do processo

Especialista explica os principais sinais de alerta quando supostos representantes de tribunais usam informações verdadeiras, WhatsApp e cobranças de "taxas" para enganar credores

Receber a notícia de que um precatório está próximo de ser pago pode representar o fim de uma longa espera. Mas, antes de comemorar, o credor precisa ter atenção redobrada: criminosos têm usado dados verdadeiros de processos judiciais para se passar por advogados, escritórios e até representantes de tribunais e aplicar golpes.

As abordagens costumam acontecer por WhatsApp, telefone ou e-mail. O golpista apresenta nome, número do processo, valor do crédito ou informações sobre a ação e, em seguida, afirma que existe alguma pendência para liberar o pagamento. A cobrança pode aparecer como suposta taxa judicial, imposto ou até pagamento necessário para "agilizar" o recebimento.

Para João Bandeira, diretor da Bandeira Investimentos, o primeiro cuidado é não confundir uma abordagem aparentemente bem informada com uma comunicação legítima. "O fato de a pessoa conhecer o número do processo, o nome do advogado ou até o valor aproximado do precatório não significa que ela seja quem diz ser. Muitas dessas informações podem ser obtidas em consultas públicas. O golpista usa um dado verdadeiro para construir uma história falsa", afirma.

Não confie se alguém pedir dinheiro para liberar o precatório

Um dos principais sinais de alerta é a solicitação de pagamento antecipado para que o credor tenha acesso ao próprio dinheiro. O pedido pode vir acompanhado de uma justificativa aparentemente técnica, como "taxa de liberação", "custas para levantamento", "imposto antecipado" ou "pagamento ao tribunal".

A recomendação é simples: não faça nenhum pagamento antes de confirmar a informação por um canal oficial e independente. Órgãos da Justiça já alertaram que criminosos utilizam justamente esse tipo de argumento para induzir credores a realizar Pix, transferências ou depósitos.

"Quando alguém diz que você precisa pagar para liberar o dinheiro do precatório, esse deve ser um sinal vermelho imediato. O credor não deve agir sob pressão. Se existe uma cobrança ou alguma pendência real, ela precisa ser confirmada diretamente com o advogado responsável pelo processo ou pelo tribunal, usando um telefone ou canal que o próprio credor já conheça", explica Bandeira.

Outro recurso utilizado pelos golpistas é a urgência. A mensagem pode dizer que o pagamento precisa ser feito naquele dia, que existe um prazo de poucas horas ou que a oportunidade de recebimento será perdida caso o credor não faça uma transferência imediatamente.

"Urgência é uma das principais ferramentas do golpe. O criminoso não quer dar tempo para a vítima pensar, consultar o advogado ou verificar a informação. Quanto mais pressão existe para tomar uma decisão financeira imediatamente, maior deve ser a cautela", afirma o especialista.

Foto do advogado e número do processo não garantem que a mensagem é verdadeira

A fraude também pode ser sofisticada. Criminosos utilizam fotos, nomes e logotipos reais de escritórios, além de documentos com aparência profissional. Em alguns casos, conseguem reproduzir informações verdadeiras do processo, tornando a abordagem muito mais convincente.

Por isso, o credor deve evitar clicar em links enviados por contatos desconhecidos, fornecer senhas ou códigos de autenticação e compartilhar dados bancários sem antes confirmar a identidade de quem está fazendo o contato.

Bandeira recomenda ainda uma regra simples: nunca use o próprio contato fornecido pelo suposto representante para verificar se ele é legítimo.

"Se alguém entra em contato dizendo ser do escritório que acompanha o processo, não ligue de volta para o número enviado na mensagem. Procure o telefone oficial do escritório ou entre em contato diretamente com o advogado por um canal que você já utilizou anteriormente. O mesmo vale para o tribunal: a confirmação deve ser feita por canais oficiais", orienta.

O que fazer ao receber uma abordagem suspeita

Antes de fornecer qualquer informação ou realizar uma transferência, o credor pode seguir alguns passos básicos:

"Quem tem um precatório não precisa tomar uma decisão financeira no impulso. É um crédito de valor relevante e, justamente por isso, merece ser tratado com calma, documentação e verificação. Se uma proposta ou cobrança parece boa demais, urgente demais ou exige um pagamento para liberar o próprio dinheiro, o melhor caminho é parar e confirmar", afirma Bandeira.

Caso o credor perceba que caiu em um golpe ou realizou uma transferência indevida, a orientação é entrar imediatamente em contato com a instituição financeira para comunicar a fraude, guardar comprovantes e mensagens e registrar um boletim de ocorrência.

No caso dos precatórios, a cautela começa antes mesmo de o dinheiro chegar à conta. Conhecer o processo é importante, mas saber quem está do outro lado da tela é ainda mais.

Sobre a Bandeira Investimentos

Especializada na análise e aquisição de créditos judiciais, com foco em precatórios, a Bandeira Investimentos atua na antecipação de valores que poderiam levar anos para serem recebidos. Com uma atuação pautada pela análise criteriosa, negociações responsáveis e previsibilidade, a Bandeira busca transformar créditos judiciais em decisões financeiras mais claras e seguras. Saiba mais em https://www.bandeirainvestimentos.com.br/

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Os artigos aqui apresentados representam a opinião do autor, não cabendo ao Guia dos Contadores responsabilidade pelos mesmos.


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