24/09/2026
Pequenas empresas crescem nas vendas mas ainda tropeçam na gestão

Uso intenso de ferramentas digitais contrasta com operações dependentes do dono e expõe um dos principais desafios do crescimento: transformar agilidade em estrutura sem perder velocidade

O WhatsApp já é o principal canal de comunicação e vendas para 82% dos microempreendedores individuais e das micro e pequenas empresas brasileiras, segundo pesquisa do Sebrae divulgada em abril de 2026. A ferramenta facilita o contato com clientes e acompanha a rotina de milhões de negócios, mas o problema começa quando mensagens também passam a concentrar pedidos, documentos, tarefas, decisões e informações que deveriam fazer parte da estrutura da empresa.

Anderson Silva, advogado, mestre em direito empresarial, professor, empresário e empreendedor, fundador da A2 Paralegal, especializada em operações para o mercado jurídico, e idealizador do ecossistema educacional Desenvolvimento Para Todos (DPT), avalia que o crescimento exige uma mudança na forma como o próprio empreendedor conduz o negócio. "Empreender é uma carreira e, como tal, deve ser desenvolvida com método e consistência. A empresa não pode crescer dependendo apenas da memória ou da disponibilidade do fundador. Vender mais é crescimento comercial. Construir uma empresa capaz de absorver essas vendas com organização, margem e qualidade é crescimento empresarial", afirma.

A discussão ganha relevância diante da velocidade de criação de empresas no país. Entre janeiro e abril de 2026, 2,05 milhões de pequenos negócios foram abertos no Brasil, alta de quase 14% em relação ao mesmo período de 2025, de acordo com o Sebrae. Para Anderson, abrir e vender são apenas as primeiras etapas de um negócio que pretende ganhar escala. O desafio começa justamente quando aquilo que o empreendedor fazia sozinho precisa passar a funcionar por meio de pessoas, processos e critérios claros de decisão.

Informações concentradas no celular do proprietário, tarefas repassadas apenas por mensagens, documentos espalhados e decisões sem histórico podem ser administráveis nos primeiros meses de uma empresa. Conforme entram novos clientes, funcionários e fornecedores, porém, a mesma dinâmica tende a dificultar o acompanhamento da operação.

Crescer sem perder o controle

Profissionalizar a gestão não significa abandonar o WhatsApp nem contratar imediatamente sistemas complexos. O aplicativo pode continuar como canal de atendimento, vendas ou comunicação. O ponto, segundo Anderson, é definir quais informações precisam sair das conversas e passar a integrar processos acessíveis à equipe.

Uma pequena empresa pode começar registrando como suas atividades mais importantes são executadas, desde a entrada de um cliente até a entrega e a cobrança. Quando as etapas ficam claras, torna-se possível estabelecer quem é responsável por cada uma delas, quais prazos precisam ser cumpridos e onde as informações devem ser armazenadas.

"A primeira mudança é tirar a operação da cabeça do dono. Se só uma pessoa sabe onde está um documento, como determinado cliente deve ser atendido ou o que fazer diante de um problema, existe uma dependência que limita o crescimento. Enquanto o conhecimento estiver concentrado no fundador, a empresa pode até aumentar de tamanho, mas continuará carregando um gargalo na sua estrutura", ressalta Anderson.

A organização documental é outro ponto dessa transição. Contratos, dados financeiros, informações de clientes e registros internos precisam ter locais definidos e acesso compatível com as funções de cada integrante da equipe. O mesmo vale para atividades recorrentes, que podem ser transformadas em procedimentos simples para reduzir retrabalho e diferenças na execução.

A etapa seguinte envolve acompanhar o que acontece dentro da empresa. Em vez de tentar medir dezenas de indicadores, pequenos negócios podem começar por informações diretamente relacionadas à operação, como receita, custos, margem, prazo de entrega, inadimplência, número de clientes e capacidade de atendimento.

À frente da A2 Paralegal há 12 anos, Anderson trabalha com estruturação de operações e passou a levar essa experiência para a formação de empreendedores. Para ele, profissionalização não deve ser confundida com aumento de burocracia. "Processo não é criar dificuldade para quem trabalha. É fazer com que as pessoas saibam o que precisa ser feito, quem decide e qual é o próximo passo. Quando isso está claro, o empreendedor consegue deixar de resolver cada problema pessoalmente e passa a dedicar mais tempo às decisões de crescimento. No fim, profissionalizar a empresa também significa mudar o trabalho do próprio fundador: ele precisa sair progressivamente do papel de resolvedor de tudo para assumir o papel de líder do negócio", aponta.

A divisão de responsabilidades também se torna necessária conforme a equipe aumenta. Centralizar aprovações pode parecer uma forma de manter controle, mas tende a criar gargalos quando praticamente todas as decisões precisam chegar ao proprietário. Estabelecer níveis de autonomia e critérios para situações recorrentes permite que a operação continue mesmo quando o fundador não está disponível. Autonomia, porém, não significa ausência de controle: exige contexto, critérios claros, indicadores e responsabilização.

Para o profissional, esse é um dos testes mais simples para avaliar o grau de organização de uma pequena empresa. Se tarefas importantes ficam paralisadas quando o dono se afasta por algumas horas ou dias, existe um sinal de que conhecimento, decisões e processos ainda estão excessivamente concentrados.

"O objetivo não é tirar a agilidade que fez o pequeno negócio crescer. É criar uma estrutura que permita continuar crescendo sem transformar cada novo cliente em mais improviso. Chega um momento em que trabalhar mais deixa de resolver. O próximo nível exige que a empresa desenvolva capacidade: melhores processos, melhores informações, melhores líderes e decisões melhores", conclui Anderson.

Sobre Anderson Silva

Anderson Silva é advogado, mestre em Direito Empresarial, professor, empresário e empreendedor. Fundador da A2 Paralegal há 12 anos, construiu sua trajetória na estruturação de operações jurídicas empresariais, formação de equipes e desenvolvimento de negócios. Mais recentemente, idealizou o ecossistema educacional Desenvolvimento Para Todos (DPT), voltado ao desenvolvimento de profissionais e empreendedores.

Atua na estruturação de rotinas operacionais do setor jurídico e no desenvolvimento de pessoas, conectando prática de mercado, gestão e educação aplicada. Sua trajetória é marcada pela profissionalização das atividades que sustentam a operação de escritórios de advocacia e departamentos jurídicos, aliada à formação de novos profissionais e ao desenvolvimento de empreendedores.

Ao longo da jornada, Anderson passou a defender o desenvolvimento como ferramenta de transformação profissional e empresarial, ampliando essa atuação também para o empreendedorismo, com a visão de que empreender é uma carreira e, como tal, deve ser desenvolvida com método e consistência.

Por meio do DPT, estrutura iniciativas voltadas tanto à formação de profissionais que buscam inserção no mercado jurídico, independentemente de aprovação na OAB, quanto ao desenvolvimento de empreendedores em diferentes estágios, aproximando o ensino da realidade das operações e da gestão dos negócios

Sobre a A2 Paralegal e o ecossistema educacional Desenvolvimento Para Todos

A A2 Paralegal, fundada há 12 anos, é especializada em operações para o mercado jurídico, com atuação em registros empresariais, organização societária, due diligence e suporte a escritórios e empresas.

Seu fundador, Anderson Silva, também lidera o Desenvolvimento Para Todos (DPT), ecossistema educacional voltado à formação de profissionais e empreendedores. A iniciativa transforma experiência de mercado em programas de desenvolvimento profissional e empresarial, conectando conhecimento, prática, gestão e capacidade de execução.

Entre as iniciativas do DPT está o Empreend4All, voltado a empresários em diferentes estágios de desenvolvimento que buscam construir negócios mais estruturados, lucrativos e preparados para crescer. O trabalho conecta cultura, talentos, processos e gestão por dados ao desenvolvimento da liderança e à evolução do próprio empresário.

Além da evolução da gestão, o Empreend4All promove networking qualificado, trocas estratégicas e conexões entre empresários, formando um ecossistema no qual desenvolvimento, experiência prática e relacionamento contribuem para novas oportunidades e expansão dos negócios.

A proposta nasce da experiência de Anderson à frente da A2 Paralegal, da criação e venda de outros negócios e da convicção de que empreender também é uma carreira: exige formação, método, capacidade de execução e evolução contínua.

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Os artigos aqui apresentados representam a opinião do autor, não cabendo ao Guia dos Contadores responsabilidade pelos mesmos.


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