23/09/2026
Consignado CLT pode fazer o salário encolher antes de cair na conta

Crédito do Trabalhador pode reduzir o custo de débitos caros, mas exige recalcular as despesas mensais antes de assumir descontos em folha

Em junho de 2026, o saldo do crédito consignado destinado aos empregados do setor privado chegou a R$113,3 bilhões, avanço de 143% em 12 meses, segundo dados do Banco Central citados em levantamento da TransUnion e da Deloitte. Mais de 40% das operações estão concentradas entre pessoas que recebem até dois salários mínimos, o que amplia uma questão prática: quanto efetivamente continuará disponível para pagar as contas depois do desconto automático?

Para José Leonardo de Campos, cofundador da Plano Fintech, empresa de educação financeira voltada à organização das finanças de pessoas e famílias, e Ricardo Hiraki, administrador, CEO e cofundador da companhia, o ponto central está no que acontece depois da contratação. "O consignado CLT pode ser uma boa ferramenta quando substitui uma dívida mais cara. O problema começa quando a pessoa mantém o mesmo padrão de gastos e tenta sustentar a rotina com um salário líquido menor", afirma José Leonardo.

Os números reforçam o alerta. O Banco Central informou que o comprometimento da renda das famílias com dívidas chegou a 28,9% em junho, alta de 1,7 ponto percentual em 12 meses. Já levantamento da Serasa Experian, feito com 191.798 contratos de consignado privado, apontou que 74% dos trabalhadores tinham dois ou mais empréstimos ativos.

A modalidade pode ser usada para substituir linhas mais caras, como cartão de crédito, cheque especial ou empréstimo pessoal. Para a troca fazer sentido, porém, é preciso comparar taxa de juros, prazo e custo total, além de encerrar a obrigação anterior. "Se a pessoa quitar o cartão ou o cheque especial e voltar a utilizar aquele limite, cria uma nova obrigação sem resolver a origem do problema", explica José Leonardo.

O limite de 35% não significa orçamento saudável

Pelas regras do programa, a margem consignável pode chegar a 35% da remuneração disponível, considerando os descontos previstos no cálculo. Para Hiraki, o teto autorizado não deve ser confundido com capacidade de pagamento. "O limite mostra quanto pode ser contratado, não quanto deveria ser comprometido. É preciso saber o que sobrará para moradia, alimentação, transporte, contas recorrentes e imprevistos", ressalta Ricardo Hiraki.

Antes de contratar faça quatro contas

Os especialistas recomendam quatro verificações simples:

O teste ajuda a identificar se a operação realmente reorganiza as finanças ou apenas adia o aperto. "Quando o dinheiro entra sem destino definido, o benefício pode durar poucos dias, enquanto o desconto permanece por muito mais tempo", aponta Hiraki.

Para os especialistas da Plano, os juros menores são apenas parte da solução. O consignado CLT pode contribuir para reduzir o custo da dívida e melhorar a organização financeira, mas perde eficácia quando, mesmo após a contratação, o trabalhador continua recorrendo ao cartão, ao cheque especial ou a novos empréstimos para fechar o mês. Nesse cenário, a origem do problema financeiro permanece.

.Sobre José Leonardo

José Leonardo de Campos é engenheiro eletricista e cofundador da Plano Fintech de Educação Financeira, especializada em organização financeira para famílias e pequenos negócios. Com passagem por multinacionais como Ericsson e Tektronix, construiu experiência em gestão, análise de processos e tomada de decisão orientada por dados, competências que hoje direciona à educação financeira prática. Sua atuação é focada na simplificação do planejamento, com ênfase em clareza e método como base de estabilidade econômica.

Filho de professora da rede pública e bolsista integral pelo ProUni, estruturou sua trajetória a partir da educação como instrumento de mobilidade social. Ao migrar da engenharia corporativa para o empreendedorismo, passou a defender a organização financeira como habilidade essencial para reduzir a vulnerabilidade e qualificar decisões estratégicas, tanto no campo pessoal quanto empresarial.

Sobre Ricardo Hiraki

Ricardo Hiraki é empreendedor e investidor em inovação e no mercado imobiliário. CEO e cofundador da Plano Fintech, é administrador com pós-graduação pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atuou por quase dez anos em posições de liderança na área financeira no ambiente corporativo, com foco em gestão, controle de custos e apoio à tomada de decisão executiva.

Desde a fundação da Plano, Hiraki passou a se dedicar à criação e ao investimento em negócios de impacto, com o objetivo de ampliar o acesso à saúde financeira no Brasil. Sua atuação está concentrada no desenvolvimento de soluções que combinam tecnologia, educação financeira e novos modelos de serviço, voltados à organização do orçamento, redução de dívidas e decisões financeiras mais conscientes.

Sobre a Plano Fintech

Fundada em 2018, a Plano Fintech é uma empresa de educação financeira que desenvolve soluções para pessoas que desejam organizar a vida financeira e tomar decisões mais conscientes sobre o uso do dinheiro. A empresa já apoiou mais de 200 mil brasileiros na redução de dívidas e no reequilíbrio financeiro.

A atuação da Plano combina plataforma digital com acompanhamento humano de educadores financeiros, permitindo a criação de planejamentos personalizados, identificação de excessos e estratégias práticas para redução de custos e despesas. Com presença em todo o Brasil, a fintech utiliza tecnologia, princípios de ESG e Open Finance para gerar impacto social em escala.

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