22/09/2026
Dia do Contador: mais da metade dos profissionais já assume papel consultivo nas empresas, mostra estudo da Cora

Pesquisa com 641 profissionais revela que 55% participam das principais decisões contábeis dos clientes, enquanto apenas 15% permanecem exclusivamente no operacional

Conhecido historicamente por atividades como apuração de impostos, folha de pagamento e cumprimento de obrigações fiscais, o trabalho do contador vem ocupando um espaço mais estratégico dentro dos pequenos negócios brasileiros. No Dia do Contador, celebrado nesta terça-feira (22), um novo levantamento da Cora, instituição financeira feita para PMEs, mostra que mais da metade dos profissionais da área já se enxerga em uma posição mais próxima das decisões de seus clientes. O material na íntegra pode ser encontrado no site do estudo.

Segundo o Radar Contábil: tendências, realizado em parceria com a Hibou, 55% dos profissionais afirmam participar das principais ou da maioria das decisões contábeis dos clientes e oferecer consultoria de maneira ativa. Outros 30% concentram sua atuação nas atividades básicas, mas oferecem orientação eventualmente. Apenas 15% dizem atuar exclusivamente no operacional obrigatório, como folha de pagamento, impostos e declarações.

O estudo ouviu 641 profissionais de contabilidade de todas as regiões brasileiras, entre 7 de julho e 11 de agosto de 2026, e busca entender como a categoria se insere hoje na gestão dos pequenos negócios e quais fatores favorecem uma atuação mais consultiva.

Para Igor Senra, CEO da Cora, os resultados ajudam a mostrar uma transformação relevante na relação entre empreendedores e profissionais de contabilidade. "O contador sempre teve acesso a uma parte muito importante da vida de uma empresa. Ele conhece os números, acompanha diferentes momentos do negócio e muitas vezes consegue enxergar riscos e oportunidades antes mesmo do empreendedor. O que a pesquisa mostra é que essa proximidade começa a se transformar, de maneira mais clara, em participação nas decisões."

Carteiras maiores têm maior presença de atuação consultiva

Uma das análises do levantamento indica que a atuação consultiva aparece com maior frequência entre profissionais responsáveis por carteiras maiores.

Entre aqueles que atendem até 20 CNPJs, 47% se posicionam em uma atuação mais consultiva. O percentual sobe para 53% entre quem atende de 21 a 50 clientes, chega a 60% entre profissionais com carteiras de 101 a 200 empresas e alcança 75% entre aqueles que atendem mais de 200 CNPJs.

Na direção contrária, o percentual de profissionais mais concentrados no básico e operacional cai de 53% entre aqueles que atendem até 20 clientes para 25% entre os que possuem mais de 200 empresas na carteira.

Os dados mostram uma associação entre tamanho da carteira e atuação consultiva, mas não permitem estabelecer uma relação direta de causa e efeito. Uma das possibilidades levantadas pelo próprio estudo é que escritórios mais estruturados tenham condições tanto de atender um número maior de clientes quanto de oferecer serviços mais consultivos. Também pode existir o movimento inverso, com uma atuação mais próxima contribuindo para a retenção e a expansão da carteira.

O que significa ser um contador consultivo

A pesquisa também ajuda a dimensionar como essa atuação aparece nos serviços oferecidos pelos escritórios.

Além de atividades tradicionais, como abertura e encerramento de empresas, oferecida por 81% dos respondentes, e gestão de folha de pagamento, presente em 66% dos escritórios, serviços mais ligados à tomada de decisão também fazem parte do portfólio de uma parcela relevante da categoria.

O planejamento tributário é oferecido por 63%, enquanto 45% afirmam prestar consultoria financeira e de gestão. Outros 27% oferecem consultoria para acesso a crédito e produtos financeiros, 26% trabalham com educação financeira e 25% ajudam clientes em processos de digitalização e adoção de tecnologia. Apenas 3% afirmam não oferecer nenhum serviço além daqueles considerados obrigatórios.

Para Senra, a evolução da profissão também está relacionada à complexidade da própria rotina dos pequenos negócios. "Quem empreende normalmente abriu uma empresa porque sabe fazer muito bem alguma coisa, e não porque queria passar o dia administrando imposto, fluxo de caixa ou obrigação financeira. Quando a contabilidade consegue ir além da execução dessas tarefas e ajudar a interpretar informações, antecipar cenários e organizar decisões, ela libera o empreendedor para dedicar mais energia ao que efetivamente faz o negócio existir."

Uma categoria formada principalmente por pequenas estruturas

O levantamento mostra ainda que essa transformação acontece em um mercado composto predominantemente por operações enxutas.

Atualmente, 69% dos respondentes atuam em microempresas de contabilidade, com até nove colaboradores, enquanto outros 15% trabalham como profissionais autônomos. Mais da metade, 53%, atende até 50 CNPJs ativos.

Do outro lado dessa relação também predominam os pequenos negócios: 86% dos profissionais têm MEIs e microempresas enquadradas no Simples Nacional entre seus principais perfis de clientes.

Para a Cora, entender essa relação ajuda a ampliar a discussão sobre as estruturas que dão suporte a quem empreende no Brasil.

"Quando olhamos para os pequenos negócios, existe uma tendência de colocar toda a responsabilidade de gestão sobre o empreendedor. Mas nenhuma empresa funciona isoladamente. O contador é um dos profissionais que estão mais próximos dessa jornada e pode ocupar um papel muito relevante para tornar decisões financeiras menos solitárias e mais bem informadas.", conclui Senra.

Sobre a pesquisa

O Radar Contábil: tendências foi desenvolvido em duas etapas. Na frente quantitativa, foi realizada uma pesquisa por formulário digital, em parceria com a Hibou, entre os dias 7 de julho e 11 de agosto de 2026. Ao todo, foram obtidas 641 respostas completas, com margem de erro de 3,9% e nível de confiança de 95%.

Na etapa qualitativa, a Cora realizou, durante agosto, entrevistas em profundidade com nove profissionais, entre eles fundadores de escritórios de contabilidade e especialistas da área.

Sobre a Cora

A Cora é a instituição financeira feita para pequenas e médias empresas no Brasil. Fundada em 2019 pelos empreendedores Igor Senra e Léo Mendes, foi criada para operar a partir da realidade de quem constrói e sustenta negócios no dia a dia.

Com crédito responsável, informações claras e processos simples, a Cora reúne conta, pagamentos e crédito em uma solução desenhada exclusivamente para PMEs, com estrutura regulatória sólida e alinhada às normas do Banco Central.

Ao ir além da operação financeira, a Cora reafirma seu compromisso de impulsionar o desenvolvimento das pequenas e médias empresas, e fortalecer o ecossistema empreendedor.

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Os artigos aqui apresentados representam a opinião do autor, não cabendo ao Guia dos Contadores responsabilidade pelos mesmos.


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