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A onda de recuperações judiciais que vem atingindo o varejo brasileiro evidencia não apenas os desafios impostos pelo ambiente econômico, mas também fragilidades estruturais na governança corporativa de parte das empresas do setor.
Para Luciano Malara, professor do MBA em Governança, Riscos e Compliance da Trevisan Escola de Negócios, as empresas que investiram em maturidade de governança, com conselhos técnicos e comitês de risco atuantes, têm conseguido negociar suas dívidas de forma extrajudicial, evitando o desgaste, o custo e o risco reputacional de um processo de recuperação judicial. Tais medidas podem não ser a solução do problema, mas levam a uma mudança estrutural que pode reduzir a recorrência desses casos nos próximos ciclos econômicos.
Segundo o especialista, a principal prática de governança, que pode evitar a transformação de uma crise financeira em uma ação de recuperação judicial, é contar com um sistema estruturado de gestão de riscos integrado ao planejamento financeiro e à governança corporativa. "Não basta ter um conselho fiscal ou uma auditoria formal apenas no papel. É preciso que a estrutura de governança funcione de fato, no dia a dia da empresa", afirma Malara.
Prevenção e gestão de crises
Malara explica que são três frentes que precisam caminhar juntas para a prevenção e a gestão de crises: a primeira é o monitoramento antecipado de indicadores de alerta, como fluxo de caixa projetado, covenants financeiros (compromisso assumido em contratos de financiamento ou empréstimo que estipula termos e condições a serem seguidos pelas partes envolvidas), nível de endividamento por vencimento e capital de giro.
"Na maioria dos casos de recuperação judicial no varejo, esses indicadores já vinham se deteriorando meses ou até anos antes do problema estourar. O que faltou, muitas vezes, foi um mecanismo formal para transformar esse dado em decisão do conselho, em tempo hábil", enfatiza.
A segunda frente é ter um conselho de administração atuante e independente, com comitês de auditoria e de risco que realmente confrontem a diretoria executiva quando os números não fecham com o discurso apresentado. De acordo com o especialista, é bastante comum observar um padrão parecido em casos recentes de varejo: otimismo excessivo da alta administração, pouco contraponto técnico dentro do conselho e decisões de expansão ou endividamento tomadas sem um teste de cenários adequado.
A terceira linha de atuação é o compliance financeiro e a transparência na divulgação de informações, tanto internamente quanto para o mercado. Isso reduz a assimetria de informação entre gestão, conselho e credores, e permite que a renegociação de dívidas aconteça de forma preventiva, antes que a situação se torne insustentável.
Sobre a Trevisan Escola de Negócios
Com uma trajetória de 25 anos marcada pelo pioneirismo, excelência acadêmica e compromisso com a formação de profissionais altamente capacitados, a Trevisan Escola de Negócios é uma das principais instituições de ensino superior do País. Seus cursos de graduação, pós-graduação e de curta duração possuem alunos em todos os estados do Brasil, além do exterior, com uma metodologia exclusiva e 100% digital. Além disso, possui dezenas de clientes corporativos que contratam a Trevisan para capacitar seus profissionais em programas "in company". A instituição é a única escola de negócios do Brasil que teve origem a partir de uma empresa. Diante disso, conta com um corpo docente formado por professores com atuação no mundo dos negócios, além do acadêmico, criando um ambiente de aprendizado alinhado com a realidade empresarial. Essa característica também está presente na Trevisan Editora, criada para lançar publicações que mesclam o embasamento teórico com o mercado profissional.
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