14/09/2026
IA deixa de ser assunto de TI e coloca o RH no centro das empresas

Capacitação de profissionais e lideranças passa a definir se a inteligência artificial gera produtividade ou permanece restrita a testes e usos isolados

Depois da corrida para testar ferramentas de inteligência artificial, as empresas começam a enfrentar uma etapa mais difícil: mudar a forma como as pessoas trabalham. O HR Monitor 2026, da McKinsey, mostra que a adoção da tecnologia pelas áreas de Recursos Humanos ainda está concentrada em projetos piloto e atividades administrativas. Apenas 11% das organizações pesquisadas trabalham com uma visão de longo prazo para planejar sua força de trabalho, justamente quando a IA passa a exigir novas competências e a interferir na organização das funções.

Essa virada apareceu de forma concreta nesta semana em São Paulo. Bruno Omeltech, administrador, contador e especialista em gestão de pessoas, é fundador e CEO da Omeltech, hub de educação corporativa que desenvolve jornadas de aprendizagem e capacitação para médias e grandes empresas. Em 17 de agosto, ele esteve à frente de um workshop gratuito que reuniu profissionais e líderes de RH para discutir aplicações práticas da inteligência artificial no trabalho. Dois dias depois, participou do CONARH 2026, a convite do iFood Benefícios, levando a discussão para um dos principais encontros de Recursos Humanos da América Latina.

Os dois compromissos fazem parte de um movimento maior. Se a primeira fase da inteligência artificial nas empresas foi marcada pela escolha de ferramentas e pela experimentação, a discussão agora se desloca para quem vai preparar equipes para incorporá-las à rotina, definir aplicações e transformar tecnologia em produtividade.

"Estamos entrando em uma segunda etapa da inteligência artificial dentro das empresas. A ferramenta já está disponível. Agora a pergunta é se as pessoas sabem utilizá-la para tomar decisões melhores, aumentar a produtividade e resolver problemas reais. É aí que Recursos Humanos passa a ocupar uma posição central", afirma Bruno.

IA muda de fase dentro das empresas

Durante o workshop promovido pela Omeltech, a discussão partiu justamente dessa diferença entre ter acesso à inteligência artificial e saber utilizá-la. Entre profissionais responsáveis por treinamento, desenvolvimento e gestão de pessoas, o debate passou por aplicações na rotina, preparação das lideranças e formas de evitar que a adoção fique limitada a iniciativas individuais, sem conexão com processos ou indicadores do negócio.

A questão também aparece no diagnóstico da McKinsey. A consultoria aponta que sistemas fragmentados e lacunas de competências continuam dificultando a passagem de projetos experimentais para uma adoção mais ampla da IA em Recursos Humanos. O desafio, portanto, começa a sair da esfera exclusivamente tecnológica e chega à organização do trabalho.

"Não adianta entregar uma ferramenta e esperar que o resultado apareça sozinho. A empresa precisa preparar as pessoas para reconhecer onde a IA pode resolver um problema, questionar o que ela produz e transformar aquela resposta em uma decisão ou ação concreta", ressalta o executivo.

Na prática, esses recursos já podem apoiar análise de documentos, organização de informações, pesquisa, preparação de reuniões e tomada de decisões. O ponto de mudança está em fazer com que esses usos deixem de depender de profissionais que descobriram a tecnologia por conta própria e passem a integrar processos estruturados pelas empresas.

CONARH leva discussão para o centro do RH

O avanço do tema também ficou evidente no CONARH 2026, realizado pela ABRH Brasil entre 18 e 20 de agosto, no São Paulo Expo. Com mais de 120 palestrantes e mais de 300 expositores, o congresso reservou um espaço específico, o RH Tech, para discussões sobre inteligência artificial, automação, análise de dados, ética e produtividade.

Foi nesse contexto que Bruno participou da programação do iFood Benefícios em 19 de agosto. Segundo a ABRH Brasil, a agenda da companhia no congresso foi estruturada em torno de temas como inteligência artificial, liderança e competências necessárias para o futuro do trabalho.

Para o fundador da Omeltech, a presença do assunto em diferentes espaços do evento revela uma mudança importante. A IA deixa de aparecer apenas como uma tecnologia que pode automatizar atividades do RH e passa a ser discutida como algo capaz de alterar competências, lideranças e a própria maneira de trabalhar.

"O que chama atenção é que a conversa já não está apenas em qual ferramenta usar. Ela avançou para como preparar pessoas, como formar gestores e como fazer a tecnologia entrar na rotina com propósito. Quando o debate chega a esse ponto, o RH deixa de ser espectador da transformação", afirma.

Novas competências entram na conta

A dimensão dessa mudança aparece também no Global AI Jobs Barometer 2026, da PwC. O estudo analisou mais de 1 bilhão de anúncios de emprego em seis continentes e constatou que as competências exigidas nas ocupações mais expostas à inteligência artificial estão mudando mais de duas vezes mais rápido do que naquelas menos afetadas pela tecnologia. Nas empresas mais expostas à IA, o crescimento da produtividade foi 40% superior.

O levantamento também aponta maior valorização de capacidades humanas associadas a julgamento, criatividade e liderança. É nesse ponto que o papel do RH se amplia. A área deixa de lidar apenas com treinamento para uma nova ferramenta e passa a ter de identificar quais competências continuarão relevantes, quais precisam ser desenvolvidas e como preparar líderes para administrar equipes que já utilizam inteligência artificial no cotidiano.

"Capacitar para IA não significa apenas ensinar prompts. É desenvolver repertório para que as pessoas saibam quando usar a tecnologia, como avaliar uma resposta e o que fazer com aquela informação. Pensamento crítico, liderança e capacidade de decisão passam a fazer parte dessa formação", aponta Bruno.

A proximidade entre o workshop da Omeltech e o CONARH também ajuda a dimensionar essa transição. De um lado, profissionais de RH buscando entender como utilizar inteligência artificial em situações concretas. Do outro, um congresso de alcance nacional colocando tecnologia, competências e liderança na mesma agenda.

Para Bruno, esse movimento indica que a próxima fase da adoção de IA será menos determinada por quantas ferramentas uma empresa disponibiliza e mais pela capacidade de incorporá-las à maneira como as pessoas executam, analisam e tomam decisões.

"A inteligência artificial pode ampliar muito a capacidade de trabalho, mas produtividade não aparece simplesmente porque uma empresa contratou uma tecnologia. A transformação acontece quando as pessoas mudam a forma como trabalham. E preparar a organização para essa mudança passa a ser uma das responsabilidades mais importantes do RH", conclui.

Sobre Bruno Omeltech

Bruno Omeltech é administrador, contador e especialista em gestão de pessoas, fundador e CEO da Omeltech, hub de educação corporativa especializado no desenvolvimento de jornadas de aprendizagem e capacitação para médias e grandes empresas. Nascido e criado na periferia de São Paulo, teve na educação um dos principais vetores de sua trajetória e passou a direcionar sua carreira ao desenvolvimento de pessoas e lideranças.

Há mais de 12 anos na área, Bruno participou de projetos que já impactaram mais de 300 mil pessoas no Brasil, Estados Unidos, América Latina e Europa. Sua atuação reúne educação corporativa, desenvolvimento de lideranças, inteligência artificial aplicada ao trabalho, reskilling, upskilling e novas metodologias de aprendizagem.

Também acompanha de perto movimentos internacionais de inovação e futuro do trabalho, com participação em eventos globais como SXSW e ATD Conference. À frente da Omeltech, lidera ainda a expansão internacional da companhia nos Estados Unidos, incluindo o avanço da operação no Texas.

Sobre a Omeltech

Fundada em 2011, a Omeltech é um hub de educação corporativa especializado na criação de jornadas de aprendizagem, programas de liderança e soluções educacionais personalizadas para médias e grandes empresas. A companhia atua desde o diagnóstico e desenho da estratégia até a produção de conteúdos, treinamentos e experiências de desenvolvimento em escala.

A empresa utiliza princípios da andragogia e metodologias ativas para criar experiências que consideram as necessidades, os conhecimentos prévios e a realidade profissional de cada público. Os projetos combinam educação, tecnologia, inteligência artificial e diferentes formatos de aprendizagem, com foco na aplicação prática do conhecimento.

Com atuação no Brasil e nos Estados Unidos, a Omeltech já alcançou mais de 300 mil pessoas no Brasil, Estados Unidos, América Latina e Europa. Entre as organizações que já desenvolveram projetos com a empresa estão OLX, HCor, Algar, Mattel, Novartis e BNP Paribas Cardif. Em 2026, a companhia ampliou sua presença nos Estados Unidos com o avanço da operação no Texas.

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Os artigos aqui apresentados representam a opinião do autor, não cabendo ao Guia dos Contadores responsabilidade pelos mesmos.


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