14/09/2026
A nova moeda dos negócios é o conhecimento compartilhado

Empresários recorrem a mentorias, comunidades e experiências práticas para acelerar decisões, reduzir erros e transformar aprendizados de outros empreendedores em estratégias de crescimento

O crescimento de uma empresa deixou de depender apenas de capital, estrutura e capacidade de venda. Para um número crescente de empresários brasileiros, um novo ativo passou a fazer parte da estratégia: o conhecimento compartilhado. Em vez de construir todas as respostas sozinhos, os empreendedores têm buscado mentorias, comunidades empresariais e grupos de relacionamento para acessar experiências práticas e tomar decisões com mais velocidade.

A mudança acompanha um novo perfil de empreendedor. A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2025, realizada no Brasil pela Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe), em parceria com o Sebrae, aponta que 58% dos empreendedores brasileiros iniciam negócios por oportunidade, e não apenas por necessidade. O dado mostra um movimento de empresários mais atentos à identificação de oportunidades, planejamento e desenvolvimento de estratégias para crescimento.

Para Gustavo Braz, CEO do Grupo PMD, empresa com atuação em importação de ferramentas diamantadas, a troca de experiências entre empresários permite reduzir caminhos que poderiam levar anos para serem construídos individualmente.

"O empresário aprende muito com a própria trajetória, mas alguns erros custam caro e consomem tempo. Quando ele consegue conversar com alguém que já enfrentou desafios semelhantes, passa a tomar decisões com mais referências e consegue acelerar processos dentro da empresa", afirma o executivo.

A busca por mentorias ganhou força justamente porque muitos desafios empresariais não estão relacionados apenas ao conhecimento técnico, mas à capacidade de tomar decisões em cenários complexos. Gestão de pessoas, formação de lideranças, expansão comercial, organização financeira e construção de processos são temas que exigem experiência prática e aplicação no dia a dia.

O modelo também responde a uma limitação comum entre empresários: o isolamento na tomada de decisão. Diferentemente de uma formação acadêmica tradicional, que oferece fundamentos, metodologias e visão ampla de gestão, a mentoria trabalha com situações reais enfrentadas por quem está à frente de uma empresa.

Um MBA, por exemplo, segue uma estrutura acadêmica mais abrangente, com disciplinas organizadas para desenvolver competências de gestão e negócios. Já a mentoria tem como característica principal a proximidade com desafios específicos, permitindo discutir decisões, avaliar cenários e buscar soluções aplicáveis à realidade de cada empresa.

"O conhecimento acadêmico constrói uma base importante, mas a experiência de quem já enfrentou determinados desafios ajuda o empresário a transformar conhecimento em ação. Muitas vezes, o ganho está em evitar meses ou anos tentando encontrar sozinho uma solução que alguém já vivenciou", explica o especialista em desenvolvimento empresarial.

Esse fator está diretamente ligado ao valor do tempo dentro das empresas. Uma decisão equivocada em áreas como contratação, expansão, investimentos ou posicionamento comercial pode gerar impactos financeiros significativos. Por isso, empresários passaram a enxergar a mentoria como uma forma de acelerar aprendizados e reduzir ciclos de tentativa e erro.

Além do acompanhamento individual, comunidades empresariais e clubes de negócios também ganharam espaço nesse movimento. Grupos de relacionamento reúnem empreendedores de diferentes segmentos para compartilhar estratégias, desafios e oportunidades, criando um ambiente de aprendizado coletivo.

O FNX Club faz parte desse movimento ao conectar empresários em encontros, experiências e momentos de troca voltados ao desenvolvimento de negócios. A proposta é aproximar empreendedores que vivem desafios semelhantes, mas atuam em mercados diferentes, ampliando o repertório de soluções.

"O empresário muitas vezes está tão envolvido na operação que não consegue enxergar novas possibilidades. Quando ele participa de um ambiente com outros empreendedores, começa a comparar práticas, identificar oportunidades e olhar para o próprio negócio com uma visão mais estratégica", destaca Gustavo.

O crescimento desse modelo acompanha uma tendência global de valorização do aprendizado entre pares. Estudos sobre programas de mentoria empresarial apontam que relações estruturadas de orientação podem contribuir para desenvolvimento de liderança, ampliação de confiança e melhoria na tomada de decisão.

As experiências presenciais também passaram a integrar esse movimento. Viagens empresariais, visitas técnicas e imersões em outros mercados permitem que empreendedores observem novos modelos de operação e tragam referências para suas próprias empresas. A China, por exemplo, tornou-se um dos destinos procurados por empresários interessados em compreender escala, produtividade, tecnologia e comportamento de consumo.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o país asiático permanece como principal parceiro comercial do Brasil, reforçando o interesse de empresários em compreender como funciona uma das maiores cadeias produtivas do mundo.

Para o empresário à frente do Grupo PMD, o principal benefício dessas experiências está na mudança de perspectiva. "Quando o empresário amplia o contato com outras realidades, ele deixa de analisar o negócio apenas pela própria experiência. Ele passa a tomar decisões considerando novas referências, possibilidades e estratégias", afirma.

Com a expansão das mentorias, comunidades empresariais e experiências de aprendizado prático, o conhecimento passa a ser tratado como um ativo estratégico. Para empresários que buscam crescimento, aprender com quem já percorreu determinados caminhos se tornou uma forma de ganhar tempo, reduzir riscos e acelerar decisões.

Sobre Gustavo Braz

Gustavo Braz é empresário e CEO do Grupo PMD, a maior importadora de ferramentas diamantadas do Brasil. À frente da companhia, lidera a expansão comercial e o posicionamento de mercado, tendo conduzido um crescimento de quase 600% nos últimos anos. Sua atuação é focada na estruturação de operações escaláveis, com ênfase em canais de distribuição, marcas próprias e eficiência comercial.

Com trajetória construída dentro do setor, a partir de uma base familiar com mais de cinco décadas de atuação, acumulou experiência em negociação internacional e cadeia de suprimentos. Também mantém conexão com fornecedores asiáticos e iniciativas voltadas à aproximação entre empresas brasileiras e o mercado chinês, reforçando sua atuação em estratégias comerciais com visão internacional.

Sobre o Grupo PMD

O Grupo PMD atua no mercado de ferramentas diamantadas, com foco na importação, desenvolvimento e distribuição de produtos voltados à construção civil. A empresa se posiciona como um dos principais players do segmento no Brasil, operando com marcas próprias e estrutura comercial integrada, que conecta fornecedores internacionais a uma rede de distribuidores em todo o país.

Com modelo orientado à eficiência operacional e escala, o grupo tem ampliado sua presença no mercado por meio do fortalecimento de canais de distribuição e da profissionalização da gestão comercial. A atuação inclui relacionamento direto com fabricantes asiáticos, permitindo maior competitividade em preço e portfólio, além de adaptação rápida às demandas do setor.

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Os artigos aqui apresentados representam a opinião do autor, não cabendo ao Guia dos Contadores responsabilidade pelos mesmos.


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