11/09/2026
Cliente recebeu a guia certa? Fraudes em documentos enviados por e-mail acendem alerta para escritórios contábeis

Golpes podem fazer com que boletos e guias adulteradas cheguem ao cliente com aparência de uma comunicação legítima, aumentando o risco de prejuízos e desgaste para os escritórios.

Enviar DARF, DAS, boletos e outras guias por e-mail faz parte da rotina de muitos escritórios contábeis.

É rápido, simples e funciona há anos.

O problema é que os criminosos também conhecem essa rotina e aprenderam a fazer com que uma fraude pareça uma comunicação normal entre contador e cliente.

Existem golpes em que boletos e documentos legítimos são alterados para direcionar o pagamento para outra conta. E nem sempre existe aquele e-mail claramente suspeito que chama a atenção logo de cara.

A mensagem pode chegar com o nome do escritório, uma conversa parecida com a habitual e até um remetente que aparenta ser o endereço utilizado normalmente pelo contador. Isso pode acontecer tanto pelo comprometimento de uma conta de e-mail quanto por técnicas utilizadas para mascarar ou falsificar a identificação do remetente.

Para quem recebe, tudo parece estar no lugar.

O nome está correto. O assunto faz sentido. A guia chegou na época esperada.

O problema pode estar justamente dentro do documento: os dados utilizados para direcionar o pagamento foram alterados.

Nem sempre o problema está no escritório contábil

Esse é um ponto importante.

Quando uma guia adulterada chega ao cliente, é comum que o escritório seja o primeiro procurado. Afinal, foi dele que aparentemente partiu a comunicação.

Mas isso não significa que o contador tenha gerado ou enviado um documento errado.

A fraude pode acontecer em diferentes pontos. A conta de e-mail do escritório ou do cliente pode ser comprometida, uma mensagem pode ser imitada, o remetente pode ser mascarado ou um arquivo legítimo pode ser utilizado como base para produzir outro adulterado.

Ou seja, o escritório pode ter gerado e disponibilizado a guia correta e, ainda assim, o cliente acabar diante de um documento fraudulento.

É justamente aí que começa o desgaste.

O cliente acredita que pagou uma obrigação enviada pelo contador. Depois descobre que o dinheiro foi para outro destinatário e que a guia verdadeira continua pendente.

Além do prejuízo, surge uma situação difícil para os dois lados: entender de onde partiu o documento, qual arquivo realmente foi enviado e em que momento ocorreu a fraude.

Conferir antes de pagar continua sendo essencial

Uma orientação simples pode evitar um grande problema: antes de concluir qualquer pagamento, é importante conferir o beneficiário apresentado pelo próprio banco.

O Banco Central recomenda verificar os dados exibidos no momento do pagamento, principalmente quem receberá o valor. Se o beneficiário apresentado não for o esperado, a operação não deve ser concluída.

Consulte a orientação do Banco Central

Mas o crescimento desse tipo de fraude também traz uma pergunta para os escritórios contábeis:

É necessário continuar enviando documentos de pagamento como anexos de e-mail?

O e-mail pode avisar. O documento pode ficar em outro ambiente

Uma alternativa é mudar um pouco essa rotina.

O e-mail continua sendo utilizado para avisar o cliente, mas a guia não precisa mais seguir anexada à mensagem.

Ela pode ser disponibilizada em um ambiente próprio, no qual o cliente acessa seus documentos diretamente.

Essa é a proposta do Transdoc, plataforma desenvolvida pela ICNEx para envio e recebimento de documentos entre empresas, escritórios e seus clientes.

Quando um novo arquivo é disponibilizado, o cliente pode receber a notificação por e-mail e acessar o Transdoc para consultar e baixar o documento.

Na prática, muda uma coisa importante: em vez de confiar apenas no arquivo que apareceu dentro da caixa de entrada, o cliente sabe que deve buscar suas guias e documentos no ambiente utilizado pelo escritório.

O Transdoc também permite organizar arquivos por cliente e departamento e manter o histórico dos documentos disponibilizados e acessados.

Conheça o Transdoc

Não significa abandonar o e-mail.

Ele continua sendo uma ferramenta importante para comunicação.

A diferença é que ele deixa de ser o local onde o documento financeiro precisa necessariamente circular.

Segurança também é processo

Nenhuma ferramenta consegue eliminar completamente o risco de fraude.

Por isso, a prevenção precisa acontecer dos dois lados.

O escritório precisa proteger suas contas, orientar sua equipe e criar uma forma mais controlada de entregar documentos. O cliente, por sua vez, precisa saber onde buscar suas guias e criar o hábito de conferir os dados antes de realizar qualquer pagamento.

Essa combinação é importante porque golpes cada vez mais bem elaborados tornam insuficiente aquela antiga orientação de simplesmente “verificar se o e-mail parece verdadeiro”.

Às vezes, ele parece.

E esse é justamente o problema.

Para o escritório contábil, adotar um processo próprio para disponibilizar documentos ajuda a reduzir essa dependência do anexo recebido por e-mail e ainda facilita a identificação do que efetivamente foi colocado à disposição do cliente.

No fim, a mudança pode ser bastante simples:

O e-mail continua avisando. A guia não precisa continuar viajando dentro dele.

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Os artigos aqui apresentados representam a opinião do autor, não cabendo ao Guia dos Contadores responsabilidade pelos mesmos.


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