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A maior parte dos debates sobre a Reforma Tributária gira em torno das alíquotas de IBS e CBS, do direito a crédito e do impacto no preço final. Esses temas dependem de uma base comum: a qualidade dos dados fiscais. Uma informação incorreta pode gerar custos que ultrapassam o tributo informado na nota.
Muitas inconsistências de cadastro, classificação fiscal e parametrização ainda são identificadas na escrituração e no fechamento mensal. No modelo assistido, a apuração passa a ser pré-construída com os dados capturados diretamente da emissão dos documentos. O fechamento e os ajustes continuam existindo, mas ganha importância conferir os dados ao longo da operação. O split payment, cuja implementação será gradual, também conectará o recolhimento à liquidação financeira.
O tributo começa muito antes do cálculo e da emissão do documento fiscal: na elaboração do contrato, no cadastro do cliente, na classificação do produto e na parametrização das regras do ERP. É nessas decisões que a interpretação da legislação se transforma em informação utilizada pela empresa.
Se a informação de origem estiver errada, o documento levará a inconsistência às etapas seguintes. Sua autorização demonstra que ele superou as validações aplicáveis, mas não confirma, por si só, que o tratamento tributário adotado está correto.
Ao emitir uma nota com dados incorretos, a empresa consolida o erro e aciona um efeito dominó operacional: a base de cálculo do IBS/CBS é distorcida, o Fisco identifica a divergência na apuração assistida em tempo real, e a segregação do split payment é efetuada sobre valores incorretos. Tudo isso gera uma consequência importante: o aproveitamento de crédito na outra ponta fica comprometido.
O dado fiscal virou critério de seleção comercial
A qualidade fiscal do fornecedor pode repercutir no caixa e na rotina do departamento de compras. Esse cenário tende a elevar o peso da governança fiscal nos processos de procurement e homologação de fornecedores. Divergências recorrentes e demora nas correções comprometem a previsibilidade da relação e podem desgastar a confiança do cliente. O problema ganha dimensões operacionais, financeiras, comerciais e reputacionais.
Implementar governança de dados, sanear cadastros e revisar sistemas exige tempo e coordenação entre áreas. O período de adaptação e o PNCT (Plano Nacional de Conformidade Tributária) devem ser aproveitados para que as empresas identifiquem essas inconsistências antes que elas se repitam em novas operações, exijam um esforço maior de regularização e aumentem a exposição da empresa a fiscalizações e possíveis autuações.
A pergunta decisiva que os conselhos e diretorias devem se fazer hoje não é "quanto vamos pagar de imposto?", mas sim se "os nossos dados têm qualidade suficiente para sustentarem a nossa operação no novo modelo?".
Superar esse desafio exige integrar inteligência tributária, tecnologia e governança contínua de dados, da origem à apuração. Essa combinação permite aplicar regras consistentes, identificar divergências e orientar correções. O custo de um dado errado não cabe na nota fiscal, ele também se manifesta no tempo das equipes, no caixa e na confiança entre as empresas.
*Por: Fabiana Yonezawa, Analista Tributária na Synchro
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