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A implementação prática da reforma tributária já começa a exigir mudanças concretas dentro das empresas. Em 2026, primeiro ano de teste do IBS e da CBS, contribuintes passaram a adaptar documentos fiscais eletrônicos, sistemas e procedimentos às novas exigências, enquanto Receita Federal e Comitê Gestor do IBS estruturam mecanismos de acompanhamento e correção de inconsistências. O período de transição coloca empresas diante de uma tarefa que vai além da adequação fiscal e exige revisão de processos internos, contratos, sistemas e estratégias de formação de preços.
Para Agenor de Lima Bento, advogado, professor e especialista em Direito Tributário e Direito Empresarial, o momento exige que as empresas deixem de tratar a reforma como uma questão exclusivamente fiscal e passem a incorporá-la à gestão do negócio. "A principal mudança neste momento é compreender que a reforma tributária não se limita à substituição de tributos. Ela interfere na forma como a empresa emite documentos, estrutura contratos, calcula preços, administra créditos e organiza seu fluxo financeiro. Por isso, a adequação precisa envolver diferentes áreas da companhia e começar antes que as novas regras produzam seus efeitos financeiros mais relevantes", afirma.
A necessidade de revisão é especialmente importante porque os efeitos da reforma não serão iguais para todos os setores. Empresas de serviços, por exemplo, podem enfrentar desafios específicos em razão da elevada participação da mão de obra na estrutura de custos e da menor geração de créditos, enquanto segmentos com cadeias produtivas mais complexas precisarão avaliar os efeitos da nova sistemática de créditos e da tributação ao longo das diferentes etapas da operação. Nesse cenário, a análise da reforma precisa considerar a realidade de cada atividade econômica e o impacto das novas regras sobre toda a cadeia, em vez de se limitar à comparação entre alíquotas.
Além da área tributária, a transição alcança tecnologia, contabilidade, financeiro, jurídico, compras e comercial, já que alterações em documentos fiscais e na forma de apuração podem repercutir sobre contratos, formação de preços, margens e capital de giro. A preparação também ganha importância diante das mudanças relacionadas ao split payment, mecanismo que altera a dinâmica de recolhimento dos tributos e pode exigir adaptações nos fluxos financeiros das empresas. Para Agenor de Lima Bento, a preparação antecipada será um dos principais fatores para reduzir riscos durante a transição.
"Não se trata apenas de descobrir quais setores serão beneficiados ou prejudicados pela reforma. A diferença estará cada vez mais na capacidade de cada empresa compreender como o novo sistema afeta sua operação e tomar decisões antes que os impactos apareçam no resultado. O diagnóstico precisa considerar custos, créditos, contratos, preços, fluxo de caixa e a posição da empresa dentro da cadeia econômica. Quanto mais cedo essa análise for incorporada ao planejamento empresarial, maior será a capacidade de adaptação e menor a exposição a surpresas durante a transição", conclui Agenor de Lima Bento
Sobre Agenor de Lima Bento
Agenor de Lima Bento é advogado, professor e especialista em Direito Tributário e Direito Empresarial. Mestre em Direito Empresarial e Cidadania, doutorando na mesma área, com especialização em Direito Tributário e Empresarial, experiência prática em assessoria jurídica empresarial e docência em cursos de pós-graduação.
Sobre o De Lima Advogados
O De Lima Advogados é um escritório de advocacia especializado em Direito Tributário e Direito Empresarial, com atuação em consultoria, assessoria e contencioso para empresas de diversos setores. O escritório oferece soluções jurídicas personalizadas, com foco na segurança, na eficiência e na sustentabilidade dos negócios.
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