03/09/2026
Falta de sucessão empresarial ainda ameaça a continuidade das empresas familiares

Governança, planejamento sucessório e formação de lideranças ganham importância à medida que empresários buscam proteger patrimônio e garantir o futuro dos negócios

As empresas familiares representam cerca de 90% dos negócios brasileiros e seguem como uma das principais forças da economia nacional. Apesar dessa relevância, a sucessão empresarial continua sendo um dos maiores desafios para a longevidade dessas organizações.

A Pesquisa Global de Empresas Familiares 2026, da PwC, aponta que a preparação da próxima geração de líderes e o fortalecimento da governança estão entre as prioridades das famílias empresárias para os próximos anos.

Para Fabinho Nascimento, especialista em planejamento empresarial, contador e CEO do Grupo FN, a sucessão empresarial deixou de ser uma discussão limitada à transferência de patrimônio e passou a ocupar posição estratégica dentro das organizações.

Segundo ele, a continuidade dos negócios depende cada vez mais da capacidade de preparar lideranças, estabelecer regras claras e estruturar processos que garantam estabilidade durante a transição de comando.

“Muitas empresas ainda tratam a sucessão empresarial como um assunto que pode ser resolvido no futuro. O problema é que a falta de planejamento costuma aparecer justamente nos momentos mais delicados, quando a empresa precisa tomar decisões rápidas e não possui uma estrutura preparada para a transição”, afirma.

Falta de planejamento sucessório amplia riscos para o negócio

Embora muitas empresas familiares apresentam crescimento consistente, a ausência de um plano sucessório continua sendo um fator de vulnerabilidade. Questões relacionadas à definição de papéis, participação dos herdeiros, profissionalização da gestão e divisão de responsabilidades frequentemente se transformam em conflitos que afetam diretamente a operação.

Na avaliação do especialista, um dos erros mais recorrentes é acreditar que a sucessão empresarial se resume a aspectos jurídicos ou patrimoniais. “A sucessão empresarial envolve pessoas, cultura, governança e estratégia. Transferir cotas ou organizar documentos é importante, mas não resolve o desafio de preparar líderes capazes de conduzir a empresa no futuro. Quando essa preparação não existe, o negócio corre o risco de perder valor e competitividade”, explica.

O profissional observa que muitas empresas iniciam o processo sucessório apenas quando o fundador se aproxima da aposentadoria ou diante de situações inesperadas, reduzindo o tempo disponível para uma transição estruturada.

Governança corporativa ganha espaço entre empresas familiares

A preocupação com a continuidade dos negócios também tem impulsionado a adoção de práticas de governança corporativa. Em publicação divulgada pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) em 2026, especialistas destacam que empresas familiares que investem em estruturas de governança conseguem organizar melhor a relação entre família, patrimônio e gestão, reduzindo conflitos e fortalecendo a tomada de decisões.

Entre os mecanismos mais adotados estão conselhos consultivos, acordos societários, protocolos familiares e processos formais de sucessão. Essas ferramentas ajudam a criar critérios objetivos para a entrada de familiares na gestão e para a definição de responsabilidades futuras.

“Quando existem regras claras, a empresa deixa de depender exclusivamente da figura do fundador. A governança cria estabilidade e permite que a organização continue crescendo independentemente das mudanças que acontecem dentro da família”, afirma o CEO.

Continuidade empresarial depende de preparação antecipada

O debate sobre sucessão empresarial tem ganhado relevância à medida que empresários buscam crescimento sustentável, expansão de operações e maior profissionalização da gestão. Para especialistas, a longevidade das empresas familiares está diretamente ligada à capacidade de planejar o futuro com antecedência.

O contador destaca que a sucessão deve ser tratada como parte do planejamento estratégico da companhia e não como uma medida emergencial. “Empresas familiares que desejam atravessar gerações precisam discutir sucessão empresarial enquanto o negócio está saudável e crescendo. Quanto mais cedo esse processo começa, maiores são as chances de preservar o patrimônio, proteger a operação e garantir a continuidade da empresa”, conclui.

Sobre Fabinho Nascimento

Fabinho Nascimento, 44 anos, é contador e CEO do Grupo FN. Com formação em Ciências Contábeis, pós-graduação em Planejamento e Controle Empresarial e especializações pela MBM Master Business School e MBM Advanced, atua há mais de duas décadas no desenvolvimento e na estruturação de empresas.

À frente do Grupo FN, liderou a transição de uma contabilidade tradicional para um hub de soluções empresariais com atuação no Brasil e nos Estados Unidos. É idealizador e mentor do Impacto Club, associado ao MLS e Energy Club, sócio do FIRE Club, ligado à MLS de Joel Jota, Caio Carneiro e Flávio Augusto, além de sócio equity do ABS.

Também é colunista do programa Manhã na Band e da Revista LIFE, e integra o Grupo do Master de Contabilidade, formado pelos 150 maiores contadores do Brasil.

O empresário mantém atuação voltada ao desenvolvimento empresarial e à formação de empresários por meio de ambientes estratégicos de networking e capacitação.

Sobre o grupo FN

Fundado em 1993, o Grupo FN é um hub de soluções empresariais com atuação no Brasil e nos Estados Unidos. Com mais de 1.500 clientes ativos e cerca de 100 colaboradores, reúne serviços integrados nas áreas de contabilidade consultiva, BPO financeiro, tributário, legalização, soluções de RH, certificado digital, treinamentos empresariais e estruturação internacional por meio da FN EUA.

A empresa surgiu como Contabilidade FN, fundada pelo pai de Fabinho Nascimento, e evoluiu para um ecossistema empresarial que integra tradição familiar e inovação estratégica. O grupo atua como parceiro consultivo, apoiando empresários na tomada de decisão, organização financeira, inteligência tributária e crescimento estruturado.

Com foco em análise de dados, atendimento próximo e visão de longo prazo, o Grupo FN se posiciona como um ambiente de suporte estratégico para empresas que buscam previsibilidade, eficiência e expansão sustentável.

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Os artigos aqui apresentados representam a opinião do autor, não cabendo ao Guia dos Contadores responsabilidade pelos mesmos.


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