03/09/2026
Investimentos em cibersegurança crescem, mas médias empresas ainda enfrentam desafios de governança e maturidade, aponta pesquisa da RSM

Levantamento revela que 71% das médias empresas brasileiras pretendem ampliar os investimentos em cibersegurança nos próximos 12 meses, mas apenas 35% adotam frameworks formais de gestão de riscos

71% das companhias do Middle Market no Brasil pretendem ampliar os investimentos na área de segurança da informação nos próximos 12 meses. É o que aponta o estudo Cybersecurity Survey Latin America 2026, conduzido pela RSM, uma das principais firmas globais de auditoria, consultoria e impostos. O levantamento, realizado com 265 empresas da América Latina, destaca também que, apesar desse avanço, os indicadores de governança mostram que a maturidade cibernética ainda representa um desafio para boa parte das companhias.

Os dados revelam um cenário de contraste entre os investimentos planejados e a estrutura disponível para sustentar uma estratégia robusta de segurança. Mais da metade das empresas brasileiras participantes da pesquisa (55%) possui equipes com até duas pessoas dedicadas à segurança da informação e privacidade, enquanto apenas 29% contam com um CISO (Chief Information Security Officer) ou executivo equivalente liderando a estratégia de cibersegurança. Além disso, somente 35% adotam frameworks formais de gestão de riscos, como NIST ou ISO 27001, considerados referências para a identificação, avaliação e mitigação de ameaças.

O perfil dos resultados indica que muitas médias empresas já reconhecem a importância estratégica da cibersegurança, mas ainda enfrentam desafios para consolidar estruturas de governança, liderança especializada e gestão de riscos. Em um cenário de expansão das ameaças digitais, esses fatores são cada vez mais determinantes para transformar investimentos em resiliência operacional.

O cenário brasileiro acompanha uma tendência observada em toda a América Latina: o crescimento dos investimentos é impulsionado pela percepção cada vez maior dos riscos digitais, mas a maturidade organizacional ainda avança em ritmo mais lento. Na região, 69% das empresas pretendem aumentar seus investimentos em cibersegurança nos próximos 12 meses, enquanto apenas 30% possuem um CISO dedicado liderando a estratégia de segurança da informação. Além disso, metade das organizações opera com equipes de até duas pessoas voltadas à segurança e privacidade.

“Os resultados mostram que as empresas estão investindo mais em cibersegurança, mas ainda precisam fortalecer aspectos fundamentais de governança. Estruturas enxutas, ausência de liderança dedicada e baixa adoção de frameworks reconhecidos indicam que existe uma oportunidade importante de evolução na maturidade cibernética das organizações brasileiras. O desafio é transformar investimento em capacidade efetiva de gestão, prevenção e resposta aos riscos cibernéticos”, afirma Felipe José, sócio-líder de Tecnologia da RSM.

A pesquisa também indica que a liderança da segurança da informação ainda está em processo de amadurecimento nas organizações brasileiras. Enquanto menos de um terço dos respondentes conta com um CISO dedicado, boa parte das empresas mantém a responsabilidade da área concentrada em departamentos de TI, CIOs ou comitês multifuncionais, evidenciando que a segurança digital ainda busca maior protagonismo nas estruturas corporativas.

No campo da gestão de riscos, os resultados reforçam a necessidade de evolução. Embora parte das empresas já adote metodologias reconhecidas internacionalmente, a maioria ainda depende de avaliações periódicas sem frameworks formais, abordagens reativas ou suporte de terceiros para gerenciar riscos cibernéticos. O cenário sugere que muitos programas de segurança permanecem focados na operação e na resposta a incidentes, sem uma governança consolidada para sustentar uma estratégia de longo prazo.

Entre as prioridades apontadas pelas organizações da América Latina estão iniciativas relacionadas à gestão da superfície de ataque, resiliência e recuperação de negócios e segurança em nuvem, áreas consideradas essenciais diante da expansão dos ambientes digitais e da crescente adoção de inteligência artificial nos processos corporativos.

O estudo aponta que a região vive uma nova etapa da agenda de cibersegurança. A conscientização sobre os riscos digitais já impulsiona os investimentos, mas os resultados indicam que a evolução da governança, da gestão de riscos e da capacidade operacional das equipes será determinante para que esses recursos sejam efetivamente convertidos em resiliência cibernética.

O estudo completo pode ser acessado aqui.

Sobre a RSM

A RSM é uma das maiores redes globais de Auditoria, Consultoria e Impostos, presente em mais de 120 países, com cerca de 500 escritórios, quase 60 mil profissionais e receita global superior a US$ 7,7 bilhões.

Como uma organização integrada, compartilha conhecimento, experiência e recursos para ajudar empresas a navegar por desafios regulatórios, tecnológicos e de negócios.

Sua atuação combina proximidade, profundo entendimento dos clientes e capacidade global para transformar complexidade em decisões mais seguras.

É assim inspira confiança em um mundo em constante transformação, apoiando organizações e pessoas a desenvolver todo o seu potencial.

Link:

Fonte:

Os artigos aqui apresentados representam a opinião do autor, não cabendo ao Guia dos Contadores responsabilidade pelos mesmos.


Envie para um amigo
Seu Nome
Seu Email
Email do amigo
FECHAR X - LISTAR TODAS