02/09/2026
A inteligência artificial começa a dar resultado quando a gestão funciona

Processos bem definidos, liderança preparada e equipes capacitadas determinam se o investimento em tecnologia será convertido em produtividade e crescimento

Os investimentos em inteligência artificial seguem em expansão no Brasil e no mundo, impulsionando projetos de automação, atendimento e ganho de produtividade. Segundo a consultoria McKinsey, 78% das empresas globais já utilizam IA em pelo menos uma função do negócio, enquanto o relatório AI in Action 2026, da Boston Consulting Group (BCG), mostra que apenas uma parcela reduzida consegue transformar esses investimentos em resultados consistentes. Para especialistas, a principal razão está menos na tecnologia e mais na forma como as empresas estão estruturadas para utilizá-la.

Anderson Silva, advogado, professor e empreendedor, fundador da A2 Paralegal, empresa especializada em operações jurídicas empresariais e desenvolvimento de pessoas, afirma que a inteligência artificial potencializa organizações preparadas, mas não corrige falhas de gestão. "Existe uma expectativa de que a IA vá organizar aquilo que nunca foi organizado. Na prática, ela apenas acelera o que já existe. Se os processos são confusos, a comunicação é falha e a liderança não consegue direcionar as equipes, esses problemas passam a acontecer em uma velocidade ainda maior", afirma.

O diagnóstico é reforçado pela própria BCG. O estudo aponta que empresas que obtêm maior retorno financeiro com inteligência artificial investem simultaneamente em revisão de processos, governança, capacitação das equipes e adaptação da cultura organizacional. Em outras palavras, a tecnologia gera mais valor quando encontra uma empresa preparada para incorporá-la ao dia a dia.

Na avaliação do executivo, um dos erros mais frequentes é iniciar projetos de inteligência artificial antes mesmo de organizar a operação. Muitas empresas buscam automatizar atividades que sequer possuem fluxo definido, indicadores claros ou responsáveis estabelecidos. "A IA depende de informações organizadas, padrões e critérios. Se cada colaborador executar uma tarefa de um jeito diferente, a tecnologia não consegue entregar consistência. Antes de escolher qualquer ferramenta, a empresa precisa entender se seus processos fazem sentido", explica.

Outro desafio está na liderança. À medida que as atividades operacionais passam a ser automatizadas, cresce a importância da capacidade de gestão, comunicação, tomada de decisão e desenvolvimento das equipes. Para Anderson Silva, essa mudança mostra que o diferencial competitivo deixa de estar apenas na tecnologia e passa a depender das pessoas que conduzem a transformação. "As empresas não precisam apenas de profissionais que saibam usar inteligência artificial. Precisam de líderes capazes de tomar melhores decisões, organizar a operação e fazer com que a tecnologia trabalhe a favor do negócio", diz.

Na prática, isso significa que projetos de inteligência artificial devem começar muito antes da contratação de plataformas ou softwares. Mapear processos, eliminar retrabalho, padronizar rotinas, definir responsabilidades e investir no desenvolvimento das lideranças cria uma base sólida para que a tecnologia realmente aumente a produtividade, reduza custos e melhore a experiência dos clientes.

Para empresários que ainda enxergam a IA como solução para problemas internos, Anderson Silva recomenda inverter a lógica. Em vez de perguntar qual ferramenta comprar, vale primeiro identificar onde estão os gargalos da operação, quais atividades geram desperdício e quais processos precisam ser simplificados. "Quando a empresa organiza a casa, qualquer tecnologia passa a gerar muito mais resultado. A inteligência artificial é um acelerador, não um ponto de partida. Quem entende isso consegue crescer com mais eficiência, enquanto quem tenta usar a tecnologia para esconder problemas internos apenas torna esses problemas mais caros e mais difíceis de resolver", conclui.

Antes da IA, a empresa precisa organizar a operação

Na avaliação de Anderson Silva, alguns ajustes operacionais costumam determinar o sucesso de qualquer projeto de inteligência artificial. O primeiro deles é mapear as atividades que realmente agregam valor ao negócio e eliminar etapas redundantes antes de automatizá las. "Muitas empresas tentam acelerar processos que já nasceram ineficientes. A tecnologia não reduz desperdícios que continuam fazendo parte da rotina", afirma.

Outro ponto é padronizar a execução das atividades. Quando cada colaborador realiza o mesmo trabalho de uma forma diferente, a empresa perde previsibilidade e dificulta a utilização da inteligência artificial em tarefas repetitivas. Para o executivo, estabelecer fluxos claros e responsabilidades definidas cria um ambiente mais favorável para a automação.

Também é fundamental revisar a qualidade das informações utilizadas pela empresa. Cadastros duplicados, documentos desatualizados e dados espalhados em diferentes sistemas comprometem tanto a análise quanto a capacidade de resposta das ferramentas de IA. "A inteligência artificial depende de informação confiável. Se a base está desorganizada, a tendência é produzir respostas igualmente inconsistentes", diz.

Por fim, Anderson recomenda que a adoção da tecnologia comece por processos já estruturados e mensuráveis, onde seja possível comparar indicadores antes e depois da implementação. "As empresas que obtêm melhores resultados não começam pelos projetos mais complexos. Elas escolhem uma operação estável, validam os ganhos e só então ampliam o uso da inteligência artificial para outras áreas."

Sobre Anderson Silva

Anderson Silva é advogado, mestre em direito empresarial, professor e empreendedor. Especialista em operações jurídicas e formação profissional no mercado paralegal, fundou há 12 anos a A2 Paralegal e, mais recentemente, idealizou o ecossistema educacional Desenvolvimento Para Todos (DPT), voltado à formação de profissionais e empreendedores.

Atua na estruturação de rotinas operacionais do setor jurídico e no desenvolvimento de pessoas, conectando prática de mercado, gestão e educação aplicada. Sua trajetória é marcada pela profissionalização das atividades que sustentam a operação de escritórios de advocacia e departamentos jurídicos, aliada à formação de novos profissionais e ao desenvolvimento de empreendedores.

Ao longo da jornada, Anderson passou a defender a formação prática como ferramenta de empregabilidade e crescimento profissional, ampliando essa atuação também para o empreendedorismo, com a visão de que empreender é uma carreira e, como tal, deve ser desenvolvida com método e consistência.

Por meio do DPT, estrutura iniciativas voltadas tanto à formação de profissionais que buscam inserção no mercado jurídico, independentemente de aprovação na OAB, quanto ao desenvolvimento de empreendedores em diferentes estágios, aproximando o ensino da realidade das operações e da gestão dos negócios

Sobre a A2 Paralegal e o ecossistema educacional Desenvolvimento Para Todos

A A2 Paralegal, fundada há 12 anos, é especializada em operações para o mercado jurídico, com atuação em registros empresariais, organização societária, due diligence e suporte a escritórios e empresas.

Seu fundador, Anderson Silva, também lidera o Desenvolvimento Para Todos (DPT), ecossistema educacional voltado à formação de profissionais e empreendedores. A iniciativa reúne programas para novos paralegais e empresários em diferentes fases de crescimento.

Entre as frentes, o Empreendedorismo Para Todos é voltado para quem está começando ou estruturando o negócio, com foco em fundamentos, organização, processos e gestão no dia a dia.

Já o Empreend4All, atende empresários em estágios mais avançados, que buscam não apenas evolução na gestão, mas também acesso a networking qualificado, trocas estratégicas e conexões que impulsionam crescimento e expansão.

A proposta é integrar prática, educação e desenvolvimento humano para formar carreiras sólidas e negócios mais organizados e sustentáveis.

Para mais informações, acesse o site, instagram, linkedin e linkedin.com/in/desenvolvimentoparatodos/

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