![]() |
Vivemos o auge da obsessão pela eficiência. Como um "hacker de modelos de negócios", minha missão sempre foi acelerar o ponteiro dos negócios, adotar tecnologias disruptivas e desenhar soluções não óbvias. Mas a experiência me trouxe uma certeza incômoda: há uma linha tênue na qual a busca pela velocidade deixa de ser vantagem competitiva e passa a ser uma patologia corporativa.
O universo do RH tem debatido uma questão importante sobre o esgotamento no ambiente de trabalho e o número crescente de casos de burnout. A grande provocação que fica para nós, líderes e gestores, é: a nossa sobrecarga com o digital vem puramente do excesso de ferramentas ou do fato de estarmos perdendo a habilidade de nos relacionar de forma saudável e profunda?
Será que fomos atropelados pela pressão e prazos cada vez mais apertados que simplesmente não conseguimos mais encarar a vida e o trabalho fora da velocidade 2x?
O grande equívoco da liderança é tentar "hackear" a convivência humana usando as mesmas métricas de eficiência de um software. Ouvimos áudios acelerados, lemos resumos gerados por Inteligência Artificial e corremos de uma reunião de alinhamento para outra sem um momento de pausa. Mas o cérebro humano, a empatia e, principalmente, as relações que geram valor, não operam da mesma forma.
Em mais de duas décadas estruturando operações aprendi que contratos complexos não são assinados apenas porque o produto é bom ou a apresentação é bonita. Grandes negócios nascem de relações de confiança e isso exige tempo, leitura de contexto, olho no olho e escuta ativa.
Quando transportamos a urgência do digital para as mesas de negociação e para o gerenciamento de times, quebramos os canais de conexão. Empresas que tentam operar 100% no "modo 2x" enfrentam problemas silenciosos e perigosos:
A tecnologia é incrível. Sou um apaixonado por inovação e já liderei algumas transformações digitais. Mas é importante resgatar uma premissa básica: a tecnologia deve estar a serviço da automação dos processos burocráticos e operacionais, justamente para nos liberar tempo para lermos contexto e estabelecer contatos e conexões.
Se a sua agenda está tão cheia de "eficiências" que você não tem 20 minutos para ouvir um parceiro de negócios ou um liderado sem olhar para a tela do celular, a sua gestão está falhando no essencial.
Para os profissionais de Recursos Humanos e líderes de negócios que acompanham este portal, o verdadeiro growth hacking atual não está em descobrir a próxima ferramenta de produtividade. Está em devolver a profundidade e o tempo de qualidade às relações corporativas. Se não conseguimos mais viver fora do 2x, o que estamos fazendo de útil com o tempo que estamos economizando? Estamos gerando valor de mercado real ou apenas alimentando a ansiedade organizacional?
No fim das contas, a pergunta que fica para todo líder é simples: você quer continuar acelerando o ritmo das interações ou quer começar a multiplicar o valor dos seus resultados?
Link: https://rhpravoce.com.br/colunistas/o-efeito-velocidade-2x
Fonte:
As matérias aqui apresentadas são retiradas da fonte acima citada, cabendo à ela o crédito pela mesma.