26/08/2026
Reforma Tributária: split payment exigirá revolução tecnológica nas empresas maior que a era da NF-e

Muito além das mudanças fiscais, o novo modelo exigirá integração entre ERPs, bancos e sistemas financeiros em tempo real. Especialista alerta que empresas que adiarem a preparação poderão enfrentar riscos operacionais

A implementação do split payment, mecanismo que automatizará o recolhimento dos tributos no momento da liquidação financeira das operações, exigirá uma profunda transformação na infraestrutura tecnológica das organizações. O sistema é visto como uma das maiores mudanças enfrentadas pelos ambientes corporativos desde a implantação da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) e do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED).

Previsto no novo modelo tributário brasileiro, o split payment altera a lógica tradicional de arrecadação de impostos. Hoje, a empresa recebe integralmente o valor de uma venda e recolhe os tributos posteriormente. Com a nova sistemática, parte do pagamento será automaticamente destinada ao Fisco no momento da liquidação da operação, fazendo com que o valor chegue ao caixa da empresa já descontado dos tributos devidos.

Na prática, essa mudança exige que sistemas de gestão empresarial (ERPs), plataformas fiscais, instituições financeiras, meios de pagamento e soluções de gestão financeira operem de forma integrada e sincronizada. Informações tributárias, financeiras e operacionais precisarão circular com precisão e praticamente em tempo real, elevando significativamente o grau de complexidade tecnológica das empresas.

"O split payment representa uma mudança estrutural na forma como as empresas operam. O maior desafio deixa de ser apenas interpretar a legislação e passa a ser garantir que toda a infraestrutura tecnológica seja capaz de responder a esse novo modelo de arrecadação. É uma transformação que envolve sistemas, processos, dados e pessoas", afirma Silvio Abade Jr., General Manager da KSE Brasil.

Embora a implementação ocorra de forma gradual, o executivo defende que o período de transição deve ser utilizado para revisar processos e preparar os ambientes tecnológicos. Isso porque projetos dessa natureza demandam diagnóstico, parametrizações, homologações, testes e integração entre diferentes plataformas, etapas que dificilmente podem ser executadas em um curto espaço de tempo.

Segundo levantamento da EY, o split payment deverá provocar mudanças significativas na gestão do fluxo de caixa das empresas, exigindo novas estratégias financeiras e operacionais para preservar liquidez e previsibilidade. Ao mesmo tempo, consultorias e entidades do setor têm comparado o impacto tecnológico da reforma ao movimento vivido durante a implantação da NF-e e do SPED, mas com alcance ainda maior, já que envolve praticamente todas as transações realizadas pelas empresas.

Tecnologia como protagonista

Nesse cenário, os sistemas de gestão passam a ocupar um papel estratégico. Empresas que utilizam plataformas como SAP precisarão revisar parametrizações tributárias, integrações entre módulos, regras fiscais e fluxos de negócio para garantir conformidade com o novo modelo. Mais do que uma atualização tecnológica, trata-se de uma revisão da forma como diferentes áreas da empresa se relacionam e compartilham informações.

"A reforma tributária transforma o ERP em um ativo ainda mais estratégico. Ele deixa de ser apenas uma plataforma de gestão para se tornar o principal elo entre a operação da empresa e as novas exigências fiscais. Qualquer inconsistência pode gerar impactos financeiros, operacionais e até comprometer a conformidade tributária", explica Abade.

Outro aspecto que ganha importância é a qualidade dos dados corporativos. Cadastros fiscais desatualizados, classificações incorretas de produtos, parametrizações inconsistentes ou integrações incompletas podem comprometer o cálculo dos tributos e a liquidação das operações. Segundo a consultoria Gartner, organizações perdem, em média, US$ 12,9 milhões por ano em decorrência da baixa qualidade dos dados, um problema que tende a se tornar ainda mais crítico em um ambiente de tributação automatizada.

Para a Abade, um dos principais equívocos das organizações é tratar a reforma tributária exclusivamente como um projeto da área fiscal. A implementação do split payment exige atuação integrada entre tecnologia, finanças, controladoria, compras, logística, vendas e compliance, tornando indispensável uma abordagem multidisciplinar.

"O tempo para se preparar é agora. As empresas que iniciarem essa jornada apenas quando as exigências se tornarem obrigatórias provavelmente enfrentarão projetos mais complexos, custos mais elevados e maiores riscos operacionais. Por outro lado, aquelas que começarem desde já poderão utilizar esse movimento para modernizar processos, fortalecer a governança dos dados e acelerar sua transformação digital", conclui Abade.

Sobre a KSE Brasil

Com mais de duas décadas de experiência em tecnologia e soluções SAP, a KSE Brasil é reconhecida como uma das principais consultorias especializadas na implementação, sustentação e evolução de ambientes SAP no país. Parceira SAP Gold, a empresa apoia organizações de diferentes portes e segmentos em projetos de transformação digital, migração para SAP S/4HANA, integração de sistemas, automação de processos e governança tecnológica, desenvolvendo soluções que unem inovação, eficiência operacional e geração de valor para os negócios.

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