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A segurança digital das empresas está cada vez mais condicionada a ambientes que elas não controlam diretamente. Na América Latina e no Caribe, 74% das violações de dados analisadas pelo Data Breach Investigations Report (DBIR) 2026, da Verizon, tiveram envolvimento de terceiros. Globalmente, fornecedores e parceiros estiveram relacionados a 48% das violações analisadas, ante 30% no levantamento anterior.
Os números acompanham uma transformação na própria dinâmica dos negócios. Em busca de eficiência e escala, empresas ampliaram a terceirização e o uso de softwares como serviço (SaaS), APIs, plataformas em nuvem e parceiros especializados. Com isso, diferentes organizações passaram a compartilhar acessos a dados, sistemas e processos críticos.
Essa interdependência também modifica a lógica dos ataques. “Hoje, o ataque mais eficiente não é ‘derrubar um castelo’. É entrar pela porta do prestador que tem a chave. Para o fraudador, atacar o elo mais fraco pode ser mais barato e rápido do que enfrentar diretamente uma empresa com maior maturidade de segurança”, comenta Rodolfo Almeida, COO da ViperX, startup de cibersegurança do Grupo Dfense.
O Global Cybersecurity Outlook 2026, do Fórum Econômico Mundial, reforça o tamanho do desafio. Entre as grandes empresas ouvidas pelo levantamento, 65% apontam vulnerabilidades de terceiros e da cadeia de fornecedores como seu maior obstáculo para alcançar resiliência cibernética, ante 54% em 2025.
O problema pode começar depois da contratação
Uma das principais fragilidades está no acompanhamento dos riscos ao longo da relação com terceiros. Segundo o Fórum Econômico Mundial, apenas 33% das organizações pesquisadas mapeiam de forma abrangente seus ecossistemas de fornecedores para identificar exposições e interdependências.
O desafio aumenta porque essas relações não permanecem estáticas. Equipes, tecnologias, subfornecedores, níveis de acesso e escopo dos serviços podem mudar ao longo do tempo, enquanto os controles de segurança nem sempre acompanham essas transformações.
“A maioria faz um check de entrada, assina o contrato e pronto. Só que o fornecedor muda o tempo todo. Uma das principais falhas está justamente na gestão depois do onboarding”, afirma Almeida.
Nesse cenário, o acompanhamento contínuo passa a ser tão importante quanto a avaliação inicial. Entre as práticas que contribuem para reduzir a exposição estão a classificação dos terceiros de acordo com sua criticidade, a definição de responsáveis e o uso de métricas capazes de incorporar essas informações às decisões do negócio.
Risco de terceiros também pode limitar o crescimento
Os efeitos de uma falha na cadeia não se restringem à perda financeira. Um incidente pode provocar interrupções, atrasos, retrabalho, gastos com investigação e resposta à crise, além de afetar relações comerciais e a confiança de clientes e parceiros.
A exposição ganha ainda mais relevância em movimentos de expansão, internacionalização e aquisições, que normalmente aumentam a quantidade de integrações, parceiros e dependências críticas. “Sem uma cadeia confiável, a empresa pode crescer carregando um passivo invisível que aparece justamente na pior hora. Risco de terceiros não é um apêndice de TI. É parte do modelo de crescimento”, afirma Almeida.
Por isso, a gestão desse tipo de exposição tende a ultrapassar os limites da área de tecnologia. Compras, financeiro, segurança e demais áreas envolvidas na contratação e operação de terceiros também passam a ter papel na identificação e acompanhamento desses riscos.
A mudança de abordagem envolve tratar a segurança da cadeia não apenas como custo ou obrigação técnica, mas como parte da estratégia de continuidade e expansão dos negócios.
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