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Apesar do avanço da presença feminina nos cargos de liderança, chegar ao topo ainda é um desafio para muitas profissionais qualificadas. De acordo com o Panorama Mulheres, realizado pelo Talenses Group em parceria com o Insper, as mulheres ocupam 30% das posições de diretoria nas empresas brasileiras, mas representam apenas 20% das vice-presidências e 17% das presidências. O cenário mostra que a participação feminina diminui conforme aumenta o nível hierárquico, levantando uma questão sobre o que impede profissionais preparadas de avançarem na carreira.
Para Joana Moreira, executiva de RH com atuação regional na América Latina e reconhecida entre as Top 50 Female Leaders Brazil 2026, parte desse desafio está na dificuldade de transformar competência em posicionamento. Ao longo de mais de duas décadas de carreira, especialmente em ambientes predominantemente masculinos, ela observa mulheres altamente qualificadas que entregam resultados, mas não necessariamente se colocam como candidatas às próximas posições.
"Muitas mulheres ainda acreditam que, depois de anos entregando bons resultados, alguém vai reconhecer seu esforço, fazer um convite especial e dizer que chegou a hora. Isso acontece, mas é exceção, não regra. Promoção não é prêmio por bom comportamento. É uma decisão de negócio", afirma.
A seguir, a especialista aponta cinco erros que podem afastar profissionais qualificadas de posições de liderança.
Muitas mulheres ainda acreditam que bons resultados e anos de dedicação serão suficientes para que uma promoção aconteça naturalmente. Para Joana, é preciso assumir um papel mais ativo na construção da carreira.
"Promoção não é prêmio por bom comportamento. É uma decisão de negócio. Se você quer participar dessa decisão, precisa se colocar como candidata, falar sobre carreira, comunicar seus resultados e entender os critérios do próximo nível", afirma.
O perfeccionismo e o medo de errar podem fazer com que profissionais adiem oportunidades por acreditarem que ainda precisam dominar todas as competências exigidas para uma nova posição.
"Existe uma diferença enorme entre estar preparada e dominar 100% das competências de uma posição. Algumas mulheres esperam receber autorização para ocupar um espaço que já têm competência para disputar. O problema é que oportunidades têm timing", explica.
Entregar bons resultados não significa necessariamente ser percebida como uma profissional pronta para liderar. Segundo Joana, muitas mulheres sabem explicar o que fizeram, mas não comunicam o impacto gerado.
"Existem mulheres extremamente competentes que sabem explicar muito bem o que fizeram, mas têm dificuldade de explicar o valor que geraram. Elas relatam atividades, não impacto. Reconhecer o próprio valor não é arrogância. É responsabilidade sobre a própria carreira", destaca.
Construir relações profissionais apenas quando surge uma vaga pode limitar as possibilidades de crescimento. Para Joana, networking deve ser desenvolvido antes que a oportunidade apareça.
"Networking não deveria ser ativado quando aparece uma vaga. Relações de carreira são construídas antes da oportunidade existir. Isso significa desenvolver relações intencionais com pares, líderes, mentores e, principalmente, sponsors", afirma.
Ser a pessoa que sempre resolve problemas pode gerar reconhecimento, mas também pode prender a profissional em uma percepção operacional.
"Muitas mulheres se tornam indispensáveis operacionalmente. Mas eu sempre faço uma pergunta: indispensável para quê? Se toda a sua reputação está construída em torno da capacidade de executar, resolver urgências e cuidar dos outros, você pode estar reforçando justamente a percepção que dificulta sua movimentação para uma posição estratégica", ressalta.
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