25/08/2026
4 práticas de liderança para reduzir os riscos de doenças psicossociais no ambiente de trabalho

Com a NR-1 em vigor desde maio deste ano, organizações precisam identificar e controlar fatores que afetam a saúde dos trabalhadores

Com a NR-1 em vigor desde maio de 2026, ampliando a exigência de gestão de riscos psicossociais, é importante que as lideranças assumam papel direto na prevenção de adoecimento mental. A norma exige que organizações identifiquem e controlem fatores que afetam a saúde dos trabalhadores, em um cenário de avanço dos afastamentos: de acordo com dados da Previdência Social, os afastamentos por transtornos mentais bateram recorde em 2025, com 546 mil benefícios concedidos, alta de 15,66% em relação a 2024. Acompanhando o momento, Daniella Russo, psicóloga e sócia da Afferolab - maior consultoria de aprendizagem corporativa do Brasil - defende que está nas mãos das lideranças construir ambientes que promovam bem-estar nas empresas.

Na prática, a especialista aponta que parte desta mudança deve começar nos gestores diretos, que passam a atuar como mediadores do ambiente de trabalho, estabelecendo diretrizes claras que promovam um ambiente de trabalho saudável. "Em um contexto de hiperconexão, superexposição e constante desgaste emocional, a saúde mental não depende só das empresas nem só dos indivíduos. Sendo assim, o líder não é o único responsável pela saúde mental dos times, mas é quem molda o ambiente de trabalho e, por isso, tem papel direto na proteção dos colaboradores", explica Russo.

Segundo a executiva, existem 4 principais responsabilidades da liderança que são essenciais para mitigar os riscos de doenças psicossociais no ambiente de trabalho, são elas:

Eliminar ambiguidades: reduzir estresse operacional

Um dos principais fatores de desgaste está na ambiguidade. Falta de clareza sobre prioridades, metas conflitantes e comunicação difusa tendem a aumentar o estresse operacional. "Eliminar ambiguidades é sobre garantir o alinhamento e clareza na direção dos times, não permitindo que cada um atue com base nas suas próprias interpretações, mas que o coletivo saiba identificar quais são as expectativas, práticas e posicionamentos organizacionais. Isso reduz a insegurança e melhora a previsibilidade do trabalho", pontua.

Estabelecer e sustentar guardrails claros: evitar excessos e respeitar os limites

Outro ponto relevante é a criação de limites claros. A ausência de regras sobre jornada, demandas e canais de comunicação, por exemplo, favorecem sobrecarga e desgaste contínuo. Nesse contexto, cabe à liderança estabelecer "guardrails" que organizem o funcionamento do time, reduzindo situações que gerem desconforto e desgaste emocional dentro da organização.

Fomentar a aprendizagem coletiva: reduzir pressão individual

A aprendizagem coletiva também ganha relevância. Ambientes que incentivam troca, experimentação e erro tendem a reduzir a pressão individual e aumentar a sensação de suporte entre as equipes. Para isso, é fundamental a criação de um ambiente aberto para experimentações, onde os colaboradores se sintam seguros para exercer a tentativa e erro, e também se sintam valorizados com o surgimento de um novo aprendizado pessoal que será aplicado para todo o time. "Para garantir que a aprendizagem seja contínua e proveitosa no sentido de coletividade, é preciso deixar práticas e rituais bases visíveis e seguir incentivando o desenvolvimento diário do time de forma empática".

Pactuar novas formas de trabalhar: adaptar rotinas e evitar desgaste

Por fim, Russo enfatiza a importância de uma liderança preparada para revisar constantemente as formas de trabalho e negociar acordos sempre que necessário. "Vivemos em um mundo que nos traz novas informações a cada instante, por isso é fundamental que as lideranças estejam atentas, engajadas em monitorar o funcionamento coletivo, identificar quais são os pontos que precisam de melhorias e aplicar novos métodos de forma explícita e compartilhada".

Para Russo, a mudança não transfere toda a responsabilidade para a liderança, mas explicita seu papel na engrenagem organizacional. "A atuação da liderança não substitui as ações institucionais quanto a políticas, práticas de diagnóstico, intervenção e monitoramento. Ainda há uma agenda institucional importante a ser revisada, mas o líder é quem conecta a estratégia ao dia a dia. É ali que o risco, de fato, se materializa", finaliza.

Sobre a Afferolab A Afferolab é a maior consultoria de aprendizagem corporativa do Brasil, parte da holding House of Brains. Com foco em upskilling e reskilling, a empresa já executou mais de 10 mil projetos e impactou 15 milhões de pessoas em 30 anos por meio de soluções de aprendizagem personalizadas para desenvolvimento de lideranças, equipes e jovens talentos; plataforma LMS+LXP e bibliotecas de aprendizagem digital; e logística para gerenciamento operacional de L&D terceirizado. A partir de metodologias próprias, como People Design, LEAD e IMPACT, a Afferolab promove bem-estar, eficiência organizacional e orquestração de jornadas de desenvolvimento, democratizando o conhecimento dentro de grandes corporações.

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