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A inteligência artificial está acelerando processos dentro das empresas, mas também cria um novo desafio para os gestores: saber o que fazer com a quantidade de informações geradas pelas ferramentas. No Brasil, 17% das empresas já utilizavam algum tipo de IA em 2025, segundo a pesquisa TIC Empresas, divulgada pelo Cetic.br em junho de 2026. Entre as grandes empresas, o índice chegou a 50%. O avanço mostra que a tecnologia deixou de ser apenas uma aposta e passou a fazer parte da rotina de negócios, mas sua adoção não resolve, sozinha, problemas de organização, análise e tomada de decisão.
O risco está em usar a tecnologia apenas para ganhar velocidade. Sistemas podem organizar dados, identificar padrões e automatizar tarefas, mas uma informação incorreta, incompleta ou interpretada de forma errada ainda pode levar a uma decisão ruim. Para as empresas, a solução passa por combinar as ferramentas digitais com profissionais capazes de analisar os resultados e entender a realidade de cada negócio.
O movimento já aparece também no uso mais estratégico da IA. De acordo com a pesquisa State of AI in the Enterprise 2026, da Deloitte, 42% dos executivos brasileiros entrevistados afirmam utilizar a tecnologia para promover mudanças estruturais nas empresas. O estudo também aponta que 59% veem impacto da IA na tomada de decisões e na geração de insights a partir de dados.
Para Leandro Uemera, diretor executivo da NTW Contabilidade Liberdade, em São Paulo, esse cenário muda a função da contabilidade dentro das empresas. “A inteligência artificial consegue processar uma grande quantidade de informações em pouco tempo, mas ela não conhece a realidade de cada empresa como um profissional que acompanha seus números e sua operação. A tecnologia ajuda a encontrar informações, mas é preciso alguém preparado para interpretar esses dados e orientar a decisão”, afirma.
Na rotina contábil, parte das tarefas repetitivas pode ser automatizada, como organização de documentos, conferência de informações e alguns processos de análise. Isso reduz o tempo gasto em atividades operacionais e permite que o profissional tenha mais espaço para acompanhar resultados, custos, riscos e mudanças que podem afetar o negócio.
A questão é que ter mais dados não significa, necessariamente, ter mais controle. Uma empresa pode acompanhar receitas, despesas e indicadores em tempo real e ainda assim não perceber que determinado custo está comprometendo o resultado ou que uma decisão pode gerar um problema financeiro mais à frente.
“O empresário precisa mais do que números. Ele precisa entender o que está acontecendo dentro da empresa e quais caminhos aqueles números indicam. É aí que o trabalho contábil ganha importância, porque a tecnologia pode mostrar os dados, mas a análise ajuda a transformar essas informações em uma decisão”, explica Uemera.
Esse cenário aproxima a contabilidade da gestão. Em vez de atuar apenas no cumprimento de obrigações, o profissional pode participar do acompanhamento financeiro e ajudar o empresário a interpretar mudanças nos resultados. Para pequenas e médias empresas, essa atuação pode ser ainda mais importante, já que muitas decisões ficam concentradas nos próprios donos.
O uso da IA também exige atenção às informações utilizadas pelos sistemas. Dados desatualizados, incompletos ou inseridos de forma incorreta podem gerar análises que não representam a situação real da empresa. Por isso, a automação não elimina a necessidade de conferência e conhecimento técnico.
“A inteligência artificial deve ser usada como uma ferramenta de apoio. Quanto mais tarefas forem automatizadas, mais importante será ter profissionais capazes de questionar os dados, identificar riscos e entender o contexto. O contador não deixa de ser necessário; ele passa a atuar de uma forma diferente”, diz o executivo.
A tendência para 2026, portanto, não é de substituição da contabilidade pela inteligência artificial, mas de integração entre tecnologia e conhecimento. Enquanto as ferramentas assumem parte do trabalho operacional, a análise profissional ganha espaço para ajudar empresas a transformar dados em decisões mais seguras.
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