19/08/2026
Créditos de ICMS da Zona Franca de Manaus são mantidos pelo TIT-SP

A decisão reforça a proteção tributária da Zona Franca de Manaus, afastando a exigência de convênio específico do CONFAZ para aproveitamento de créditos em São Paulo

Os créditos de ICMS da Zona Franca de Manaus foram mantidos pela Câmara Superior do Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo (TIT-SP) em decisão unânime favorável ao contribuinte. O colegiado negou recurso da Fazenda paulista e confirmou o cancelamento de uma autuação que pretendia glosar créditos relacionados a mercadorias produzidas no Amazonas.

A decisão reforça a proteção jurídica conferida à Zona Franca de Manaus e afasta, no caso analisado, o argumento de que a ausência de convênio específico no CONFAZ seria suficiente para impedir o aproveitamento dos créditos no Estado de São Paulo.

Créditos de ICMS da Zona Franca de Manaus: o que decidiu o TIT-SP?

O julgamento ocorreu no processo administrativo nº 4109666-6, envolvendo uma mineradora com estabelecimentos no Amazonas e em São Paulo.

A fiscalização paulista havia questionado os créditos de ICMS apropriados pelo estabelecimento localizado em São Paulo. Segundo o Fisco, os benefícios fiscais concedidos pelo Estado do Amazonas não teriam sido previamente autorizados pelas demais unidades federativas por meio do CONFAZ.

Com esse argumento, a fiscalização considerou que parte do imposto destacado nas operações não teria sido efetivamente recolhida na origem e, portanto, os créditos deveriam ser glosados.

A Câmara Superior, porém, manteve o cancelamento da autuação.

O entendimento foi de que a situação da Zona Franca de Manaus possui tratamento constitucional e legal específico, que não pode ser equiparado às hipóteses tradicionais de guerra fiscal entre os estados.

Por que o CONFAZ não foi considerado um impedimento?

A controvérsia envolve uma questão recorrente nas operações com a Zona Franca de Manaus: a necessidade de convênio do CONFAZ para validar os incentivos fiscais concedidos pelo Amazonas.

No caso analisado, o TIT-SP entendeu que essa exigência não se aplica da mesma forma às indústrias instaladas na ZFM.

A decisão considerou precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente a ADI 4832 e a ADPF 1014, que reconhecem a existência de um regime jurídico diferenciado para os incentivos fiscais relacionados à Zona Franca de Manaus.

Esse tratamento decorre da própria proteção constitucional atribuída à região, voltada ao desenvolvimento econômico e à integração socioeconômica da Amazônia.

O papel da LC 24/1975

Outro fundamento destacado no julgamento foi o artigo 15 da Lei Complementar nº 24/1975.

A norma estabelece uma exceção ao regime geral de convênios para concessão e revogação de benefícios fiscais de ICMS, permitindo tratamento específico às indústrias instaladas na Zona Franca de Manaus.

Na prática, esse dispositivo funciona como uma das bases jurídicas para sustentar a validade dos incentivos concedidos na região.

O que a ADPF 1014 muda para as empresas?

Um dos pontos mais relevantes do julgamento está na aplicação do entendimento firmado pelo STF na ADPF 1014.

Segundo a decisão do TIT-SP, o STF reconheceu a inconstitucionalidade de atos administrativos de São Paulo que determinem a supressão de créditos de ICMS relacionados a mercadorias provenientes da Zona Franca de Manaus quando essas operações estiverem abrangidas pelos incentivos fiscais concedidos às indústrias instaladas na região.

Isso reduz o espaço para que o Fisco paulista utilize, isoladamente, a ausência de convênio no CONFAZ como fundamento para desconsiderar esses créditos.

Para as empresas, o precedente reforça a necessidade de diferenciar:

Essa distinção é central para a análise das operações realizadas com estabelecimentos localizados na região.

Quais empresas devem ficar atentas?

O tema interessa principalmente a empresas que mantêm relações comerciais ou estruturas operacionais envolvendo estabelecimentos na Zona Franca de Manaus.

Entre os principais pontos de atenção estão:

Quais são os impactos para as empresas?

Impacto no caixa e na operação

A manutenção dos créditos pode representar um efeito financeiro relevante para empresas que realizam operações recorrentes com mercadorias produzidas na ZFM.

Quando um crédito é glosado, o impacto não se limita à escrituração fiscal. A empresa pode ser obrigada a recolher valores adicionais, além de enfrentar multas e outros encargos decorrentes da autuação.

A manutenção do crédito, por outro lado, preserva a sistemática de apuração originalmente adotada pelo contribuinte.

Isso pode influenciar:

Impacto no compliance tributário

O precedente também reforça a importância de uma documentação fiscal e jurídica consistente.

Empresas que utilizam créditos relacionados a operações com a ZFM devem manter controles capazes de demonstrar a origem das mercadorias, a natureza da operação e o enquadramento nos incentivos fiscais aplicáveis.

Uma análise adequada deve considerar, entre outros aspectos:

O que muda no planejamento tributário?

A decisão do TIT-SP reforça que operações envolvendo a Zona Franca de Manaus não devem ser analisadas exclusivamente sob a ótica das regras gerais de benefícios fiscais e guerra fiscal.

O regime da ZFM possui características próprias e proteção constitucional específica.

Para empresas que possuem operações com a região, isso significa que o planejamento tributário deve considerar não apenas a carga tributária na origem, mas também os efeitos dos incentivos sobre os créditos apropriados no destino.

Uma revisão preventiva pode ajudar a identificar situações em que créditos foram indevidamente desconsiderados ou em que a empresa adotou uma postura excessivamente conservadora diante de uma fiscalização.

Decisão pode aumentar a segurança jurídica nas operações com a ZFM

O julgamento do processo nº 4109666-6 não cria, isoladamente, uma autorização irrestrita para aproveitamento de qualquer crédito relacionado à Zona Franca de Manaus.

O ponto central é outro: quando a operação está efetivamente abrangida pelo regime de incentivos da ZFM, a empresa não deve ser tratada como se estivesse diante de um benefício fiscal estadual comum, sujeito às mesmas limitações.

A decisão do TIT-SP reforça essa diferenciação e aplica entendimentos já estabelecidos pelo STF sobre a proteção jurídica da região.

Por isso, cada operação deve ser analisada de acordo com suas características e com o benefício fiscal efetivamente aplicado.

A decisão sobre os créditos de ICMS da Zona Franca de Manaus representa um importante sinal de segurança jurídica para empresas que realizam operações com mercadorias produzidas na região. Ao manter o cancelamento da autuação, o TIT-SP reforçou a aplicação do tratamento constitucional diferenciado conferido à ZFM.

Para as empresas, o principal cuidado é garantir que os créditos estejam corretamente fundamentados, documentados e vinculados a operações efetivamente abrangidas pelo regime da Zona Franca. O acompanhamento da jurisprudência e a revisão das operações podem ser importantes para reduzir riscos de glosa e preservar créditos tributários.

Link: https://grm.com.br/creditos-de-icms-da-zona-franca-de-manaus-sao-mantidos-pelo-tit-sp/

Fonte:

As matérias aqui apresentadas são retiradas da fonte acima citada, cabendo à ela o crédito pela mesma.


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