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A gestão de caixa em empresas com exposição internacional deixou de ser uma atividade operacional para se tornar uma decisão estratégica dos CFOs - sigla para Chief Financial Officer (traduzido como Diretor Financeiro ). A combinação de juros elevados, oscilações do dólar, tensões comerciais e mudanças na política monetária das principais economias tem levado companhias brasileiras a rever políticas de liquidez, proteção cambial e alocação de capital para preservar margens e garantir previsibilidade financeira.
Nesse contexto, Murillo Oliveira, engenheiro e Head of Treasury da Saygo, holding brasileira especializada em comércio exterior, câmbio e estruturação de operações internacionais, afirma que o caixa passou a ser tratado como um ativo estratégico. "O foco deixou de ser apenas manter liquidez. Hoje o CFO precisa administrar riscos cambiais, proteger o fluxo de caixa e garantir que a empresa tenha capacidade de responder rapidamente às mudanças do ambiente econômico sem comprometer investimentos ou a operação."
A preocupação é justificada pelo aumento da volatilidade dos mercados financeiros. O Fundo Monetário Internacional destacou, em julho de 2025, que a desvalorização cambial e o ambiente de juros elevados continuam influenciando inflação, expectativas e decisões financeiras das empresas.
Gestão de caixa passa a integrar a estratégia financeira
Para empresas que importam insumos, exportam produtos ou possuem receitas e despesas em moedas diferentes, pequenas oscilações cambiais podem representar impactos relevantes sobre margens e fluxo de caixa.
Segundo o engenheiro, a gestão financeira internacional deixou de olhar apenas para o fechamento do câmbio de cada operação. "Os melhores departamentos financeiros trabalham com uma visão integrada. Gestão de caixa, hedge, cronograma de pagamentos, captação de recursos e exposição cambial precisam conversar entre si. Quando cada decisão é tomada de forma isolada, o risco aumenta significativamente."
Ele explica que o objetivo não é eliminar completamente a exposição cambial, mas torná-la previsível. "Nenhuma empresa controla o mercado. O que ela controla é o nível de risco que aceita assumir."
Hedge deixa de ser ferramenta exclusiva das grandes empresas
Outro movimento observado é a ampliação do uso de instrumentos de proteção financeira por empresas de médio porte. Contratos de hedge, contas em moeda estrangeira, diversificação de moedas e políticas formais de exposição cambial passaram a fazer parte da rotina de empresas que antes administravam essas oscilações apenas de forma reativa.
Para o profissional, essa mudança ocorreu porque a volatilidade deixou de ser um evento excepcional. "Durante muito tempo muitas empresas enxergavam hedge como custo. Hoje ele é visto como uma ferramenta de proteção do resultado. Em vários casos, preservar margem vale muito mais do que buscar um ganho especulativo com a variação do câmbio."
Geopolítica aumenta a necessidade de previsibilidade
As disputas comerciais entre grandes economias, alterações tarifárias e mudanças nas cadeias globais de fornecimento também passaram a influenciar diretamente as decisões de tesouraria.
Levantamento do Bank for International Settlements mostra que a atividade global no mercado de câmbio atingiu aproximadamente US$9,6 trilhões por dia em abril de 2025, impulsionada justamente pelo aumento das operações de proteção em meio às incertezas provocadas por anúncios de tarifas comerciais e maior volatilidade internacional.
Segundo Murillo, esse comportamento também chegou às empresas brasileiras. "Hoje não basta acompanhar apenas o dólar. É preciso monitorar juros internacionais, decisões dos bancos centrais, riscos geopolíticos e mudanças regulatórias que podem alterar rapidamente o custo financeiro de uma operação internacional."
Na avaliação do especialista, empresas que conseguem integrar inteligência financeira, gestão de caixa e proteção cambial tendem a responder com mais rapidez às mudanças econômicas e preservar a competitividade. "O caixa deixou de ser apenas uma reserva financeira. Ele passou a ser uma ferramenta estratégica para sustentar crescimento, proteger patrimônio e permitir decisões mais seguras mesmo em períodos de elevada volatilidade internacional."
Sobre Murillo Oliveira
Murillo Oliveira é Head of Treasury da Saygo Group, com atuação no mercado financeiro voltada à tesouraria, investimentos e estruturação financeira em contextos globais. Trabalha com gestão de caixa, ALM, portfolio management e estratégias de proteção cambial, participando de decisões que envolvem múltiplas moedas e exposição a cenários macroeconômicos voláteis.
Certificado como Certified Investment Manager (CGA e CFG), é formado pela Escola Politécnica da USP e alumni da Oxford Saïd Business School, com especialização em inteligência artificial e trading algorítmico. Ao longo da carreira, acumulou experiência em tesourarias e na indústria de fundos, desenvolvendo uma visão técnica e aplicada sobre mercados financeiros e fluxos internacionais de capital.
Sobre a Saygo
A Saygo é uma holding brasileira especializada em comércio exterior, formada pela unificação da Proseftur Assessoria em Comércio Exterior e da Zebra Corretora de Câmbio. Com mais de 23 anos de experiência, a empresa oferece soluções integradas para importadores e exportadores, abrangendo assessoria em operações internacionais, serviços cambiais e desenvolvimento de tecnologias para otimização de processos globais. Seu compromisso é auxiliar empresas a ingressarem e expandirem suas atividades no mercado internacional, proporcionando estratégias inovadoras e suporte especializado.
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