10/08/2026
Copom reduz a Selic: O que muda para o mercado e para as empresas

Queda da taxa básica inaugura um novo ciclo para investidores e empresas, que passam a rever alocação de capital, estratégia de caixa e planos de expansão

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, marca a quarta queda consecutiva dos juros básicos da economia brasileira e sinaliza o início de um novo ciclo para o mercado financeiro. Embora o Banco Central tenha mantido um discurso cauteloso em relação aos próximos passos da política monetária, a redução dos juros já começa a alterar o comportamento de investidores, empresas e diretorias financeiras.

Com uma remuneração menor dos ativos de renda fixa ao longo do ciclo de queda dos juros, cresce a tendência de reavaliação da alocação de capital por investidores e empresas. Ao mesmo tempo, o custo de financiamento tende a recuar gradualmente, favorecendo investimentos, expansão e reorganização das estruturas financeiras corporativas.

Murillo Oliveira, especialista em investimentos e estruturação financeira internacional e Head of Treasury da Saygo, holding brasileira especializada em comércio exterior, câmbio e estruturação financeira internacional, afirma que o impacto da decisão vai muito além da redução do custo do crédito.

“O início do ciclo de queda da Selic muda gradualmente a dinâmica do mercado, mas é importante lembrar que os juros brasileiros continuam entre os mais elevados da última década. Isso mantém o país atrativo para determinados fluxos de capital e faz com que o reposicionamento dos investidores aconteça de forma mais gradual do que em outros ciclos de flexibilização monetária”, afirma Murillo.

Ao mesmo tempo, empresas começam a revisar sua estrutura de capital e suas estratégias de investimento para aproveitar um ambiente que tende a se tornar mais favorável nos próximos meses.

Segundo o especialista, um dos primeiros reflexos ocorre nas tesourarias corporativas. Empresas que, durante o período de juros elevados, priorizaram aplicações financeiras e preservação de caixa passam a avaliar a retomada de investimentos e a reorganização de seus recursos. "A tesouraria deixa de olhar apenas para preservação de liquidez e passa a buscar eficiência na alocação do capital. Esse é o momento de revisar financiamentos, avaliar novos projetos e preparar a empresa para um ambiente econômico mais favorável", explica Murillo.

Para empresas com atuação internacional, o processo exige uma análise ainda mais ampla. Apesar da melhora nas condições domésticas, fatores como a política monetária dos Estados Unidos, a volatilidade do dólar e as tensões comerciais continuam influenciando o custo das operações e o fluxo global de investimentos.

"A queda da Selic é uma notícia positiva para o mercado, mas ela precisa ser analisada em conjunto com o cenário internacional. Enquanto o Brasil inicia um ciclo de flexibilização monetária, os Estados Unidos ainda mantêm uma política de juros que influencia diretamente o fluxo de capital e o comportamento do dólar. Para empresas com operações internacionais, isso significa que a gestão financeira não pode olhar apenas para a Selic. É preciso acompanhar também o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, porque ele afeta o câmbio, o custo das operações e a competitividade das empresas", afirma Murillo Oliveira.

Na avaliação de Murillo, empresas que conseguirem antecipar esse reposicionamento financeiro terão vantagem competitiva nos próximos meses, especialmente em setores que dependem de capital para crescer ou possuem operações internacionais.

Cinco movimentos que começam após a queda da Selic

Segundo a Saygo, o novo ciclo de juros tende a acelerar algumas decisões dentro das empresas:

Para o Head of Treasury da Saygo, empresas que transformarem a decisão do Copom em planejamento financeiro sairão na frente quando a economia ganhar mais ritmo. "Os ciclos de juros mudam o comportamento do mercado, mas também mudam a forma como empresas competitivas tomam decisões. Quem entender esse movimento antes da maioria conseguirá acessar capital em melhores condições, investir com mais segurança e construir vantagem competitiva antes da próxima fase de crescimento da economia", conclui Murillo.

Sobre Murillo Oliveira

Murillo Oliveira é Head of Treasury da Saygo Group, com atuação no mercado financeiro voltada à tesouraria, investimentos e estruturação financeira em contextos globais. Trabalha com gestão de caixa, ALM, portfolio management e estratégias de proteção cambial, participando de decisões que envolvem múltiplas moedas e exposição a cenários macroeconômicos voláteis.

Certificado como Certified Investment Manager (CGA e CFG), é formado pela Escola Politécnica da USP e alumni da Oxford Saïd Business School, com especialização em inteligência artificial e trading algorítmico. Ao longo da carreira, acumulou experiência em tesourarias e na indústria de fundos, desenvolvendo uma visão técnica e aplicada sobre mercados financeiros e fluxos internacionais de capital.

Sobre a Saygo

A Saygo é uma holding brasileira especializada em comércio exterior, formada pela unificação da Proseftur Assessoria em Comércio Exterior e da Zebra Corretora de Câmbio. Com mais de 23 anos de experiência, a empresa oferece soluções integradas para importadores e exportadores, abrangendo assessoria em operações internacionais, serviços cambiais e desenvolvimento de tecnologias para otimização de processos globais. Seu compromisso é auxiliar empresas a ingressarem e expandirem suas atividades no mercado internacional, proporcionando estratégias inovadoras e suporte especializado.

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