06/08/2026
Empresas não travam por falta de tecnologia, mas de liderança preparada

Enquanto a inteligência artificial acelera a transformação dos negócios, especialistas afirmam que o crescimento sustentável depende da capacidade dos líderes de adaptar cultura, estratégia e execução

A transformação da liderança empresarial ganhou protagonismo diante do avanço da inteligência artificial, das mudanças geopolíticas e da velocidade com que novos modelos de negócio surgem e se consolidam. Se nos últimos anos a prioridade das empresas era investir em tecnologia, agora o desafio passou a ser preparar líderes capazes de tomar decisões em ambientes de constante mudança. O relatório Global Human Capital Trends 2026, da Deloitte, mostra que cerca de 70% das organizações apontam a capacidade de adaptação como prioridade estratégica para os próximos anos, enquanto a maioria dos executivos reconhece que desenvolver lideranças preparadas será determinante para a competitividade.

Para Thiago Oliveira, empreendedor, investidor e CEO da Saygo, holding brasileira especializada em comércio exterior, a transformação empresarial continua acontecendo muito mais nas pessoas do que nas ferramentas. Segundo ele, a inteligência artificial ampliou a velocidade das mudanças, mas também tornou mais evidente uma deficiência antiga das organizações: líderes que cresceram tecnicamente, mas não acompanharam a evolução da gestão. "A inteligência artificial potencializa a capacidade das empresas, mas ela não substitui julgamento, visão estratégica nem cultura. Se o líder não evolui, a tecnologia apenas acelera os problemas que já existiam", afirma.

O papel da liderança mudou

Durante muitos anos, liderar significava controlar processos, acompanhar operações e concentrar decisões. Hoje, a principal responsabilidade dos executivos passou a ser desenvolver pessoas, criar ambientes de adaptação constante e tomar decisões com rapidez diante de informações que mudam diariamente.

Esse movimento também aparece no relatório The State of Organizations 2026, da McKinsey, que aponta a adaptação organizacional como um dos maiores desafios das empresas diante da inteligência artificial, das transformações econômicas e das mudanças na força de trabalho. Embora a maioria das organizações esteja investindo em novas tecnologias, poucas conseguem transformar esses investimentos em ganhos consistentes de produtividade justamente por dificuldades relacionadas à liderança e à gestão da mudança.

Na avaliação do empreendedor, muitos empresários ainda confundem crescimento com escala. "Administrar uma empresa e construir um negócio escalável são coisas completamente diferentes. Enquanto a operação depende da presença do dono, a escala depende da capacidade de formar líderes, criar processos e construir uma cultura que funcione mesmo quando ele não está presente."

Empresas crescem até o limite de seus líderes

Depois de mais de duas décadas empreendendo, acelerando startups e participando da construção e expansão de empresas, o profissional afirma que um dos erros mais recorrentes é tentar expandir mantendo o mesmo modelo de liderança utilizado quando o negócio era pequeno.

Segundo o CEO da Saygo, muitos empresários continuam centralizando decisões, acumulando funções e resolvendo problemas operacionais diariamente, mesmo quando a empresa já exige uma estrutura mais profissional. "O maior gargalo de crescimento normalmente não está na estratégia nem na tecnologia. Está na capacidade do líder de abrir espaço para que outras pessoas também decidam, executem e assumam responsabilidades."

Para ele, esse processo passa pela criação de indicadores claros, fortalecimento da cultura organizacional e desenvolvimento contínuo das lideranças intermediárias. "Quando o conhecimento deixa de ficar concentrado apenas no fundador, a empresa passa a crescer de forma muito mais consistente."

Adaptabilidade se tornou vantagem competitiva

Além da capacidade técnica, características como flexibilidade, aprendizado contínuo e rapidez na tomada de decisão passaram a diferenciar empresas que conseguem crescer mesmo diante de cenários de incerteza.

O investidor avalia que o futuro pertence às organizações capazes de aprender continuamente e transformar esse aprendizado em execução. "Os negócios vão continuar convivendo com mudanças econômicas, novas tecnologias e transformações no comportamento dos consumidores. Quem esperar estabilidade para decidir ficará sempre atrasado. Liderança hoje significa evoluir continuamente e criar organizações preparadas para mudar antes que o mercado obrigue."

Para o especialista, a inteligência artificial continuará revolucionando processos, mas será a qualidade da liderança que determinará quais empresas conseguirão transformar inovação em crescimento sustentável. "A tecnologia muda rapidamente. A vantagem competitiva continua sendo a capacidade das pessoas de aprender, adaptar e executar melhor."

Sobre Thiago Oliveira

Thiago iniciou sua trajetória empreendedora há mais de 20 anos. Com um Monza e dinheiro emprestado, fundou seu primeiro negócio em logística, que anos depois seria vendido por milhões de dólares. Tornou-se sócio da maior aceleradora de startups da América Latina, a ACE, e do maior Venture Capital da região, a Bossanova Investimentos.

Ao identificar os desafios enfrentados por importadores e exportadores no fechamento de câmbio, fundou a corretora de câmbio do grupo, inicialmente chamada Zebra e agora Saygo Câmbio, transformando o setor. Além de empreendedor, é mentor e conselheiro de diversas empresas e cofundador da Oliveira Foundation, ONG que já impactou mais de 100 mil crianças em países de língua portuguesa. Seu foco está em soluções cambiais, desenvolvimento tecnológico e estratégias para expansão internacional de empresas.

Sobre a Saygo

A Saygo é uma holding brasileira especializada em comércio exterior, formada pela unificação da Proseftur Assessoria em Comércio Exterior e da Zebra Corretora de Câmbio. Com mais de 23 anos de experiência, a empresa oferece soluções integradas para importadores e exportadores, abrangendo assessoria em operações internacionais, serviços cambiais e desenvolvimento de tecnologias para otimização de processos globais. Seu compromisso é auxiliar empresas a ingressarem e expandirem suas atividades no mercado internacional, proporcionando estratégias inovadoras e suporte especializado.

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Os artigos aqui apresentados representam a opinião do autor, não cabendo ao Guia dos Contadores responsabilidade pelos mesmos.


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