05/08/2026
O desafio das empresas familiares que querem crescer sem perder a essência

Clínicas criadas por pais e filhos mostram como governança, gestão profissional e definição clara de papéis ajudam negócios familiares a superar a dependência do fundador e alcançar faturamentos milionários

As empresas familiares respondem por cerca de 90% dos negócios brasileiros e têm papel fundamental na geração de empregos e renda no país. Ao mesmo tempo, poucas conseguem atravessar gerações mantendo crescimento sustentável. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), grande parte dos negócios familiares enfrenta dificuldades relacionadas à sucessão, concentração de decisões e falta de profissionalização da gestão.

No setor de saúde, onde muitos negócios nasceram a partir da reputação e do trabalho individual dos fundadores, o desafio costuma ser ainda maior. Clínicas que cresceram apoiadas no talento técnico de seus proprietários frequentemente encontram dificuldades para escalar operações, formar lideranças e construir empresas capazes de prosperar além da presença diária do dono.

Foi justamente esse desafio que levou clínicas familiares de diferentes regiões do país a adotar práticas mais comuns em médias e grandes empresas, como governança, acompanhamento de indicadores, definição de responsabilidades, planejamento financeiro e desenvolvimento de lideranças.

Para Ricardo Novack, administrador e sócio-diretor do Grupo ICOM, o principal ponto de virada acontece quando a família deixa de administrar o negócio de forma intuitiva e passa a enxergá-lo como empresa.

“Muitas clínicas familiares crescem com base na confiança entre os membros da família, mas chega um momento em que isso não é suficiente. O crescimento exige processos, indicadores, metas e clareza sobre o papel de cada pessoa dentro da operação”, afirma.

Da família para a empresa

A Freire Odontologia, liderada por Lauro Freire, está entre os exemplos de negócios que passaram por esse processo de transformação. Com a adoção de ferramentas de gestão e planejamento, a clínica estruturou processos internos e fortaleceu sua capacidade de crescimento sem perder a proximidade que sempre caracterizou o relacionamento com os pacientes.

Na Rossoni Odontologia, comandada por Diego Rossoni, a profissionalização permitiu ampliar a atuação da clínica e reduzir a dependência da figura do fundador nas decisões operacionais do dia a dia. O foco passou a ser a construção de uma organização mais preparada para crescer de forma sustentável.

Movimento semelhante aconteceu na Bongiovanni Odontologia, liderada por Rodrigo Bongiovanni. A clínica adotou práticas de gestão empresarial, acompanhamento de indicadores e divisão mais clara de responsabilidades entre familiares e colaboradores, criando uma estrutura mais eficiente para sustentar a expansão do negócio.

Já a Sampaio Odontologia, sob liderança de Gilka Sampaio, representa um modelo que combina tradição familiar e gestão profissional. A clínica preservou os valores que construíram sua reputação ao longo dos anos, mas incorporou mecanismos de governança capazes de dar mais previsibilidade ao crescimento.

Sucessão e crescimento caminham juntos

Segundo Novack, um dos maiores erros das empresas familiares é adiar discussões relacionadas à sucessão e à profissionalização.

“Muitos empresários acreditam que terão tempo para resolver essas questões no futuro. O problema é que o crescimento costuma acontecer antes. Quando não existe preparação, a empresa corre o risco de ficar dependente demais de uma única pessoa”, afirma.

O impacto da profissionalização vai além da organização interna. Empresas familiares que conseguem estruturar processos, desenvolver lideranças e preparar sucessores tornam-se mais eficientes, geram mais empregos e ampliam sua capacidade de investimento.

No caso das clínicas de saúde, isso também se reflete na experiência do paciente, na expansão dos serviços e na capacidade de incorporar novas tecnologias.

“O legado de uma empresa familiar não está apenas no patrimônio construído, mas na capacidade de continuar crescendo ao longo das gerações. Quando a gestão evolui, a empresa deixa de depender exclusivamente do fundador e passa a ter condições de construir uma história muito mais longa”, conclui Novack.

Sobre Ricardo Novack

Ricardo Novack é formado em administração de empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Hoje, é sócio-diretor do maior grupo de gestão e marketing na área da Saúde do mundo, composto por sete empresas. O grupo nasceu em 1990, criado pelos seus pais Roberto e Valéria e possui mais de 8 mil clínicas com contratos ativos, todos devidamente acompanhados por empresas do grupo. O especialista já ministrou cursos em diversas áreas do país, e internacionalmente na Universidade da Flórida em Gainesville-FL.

Outro grande feito foi um curso presencial realizado em 2024, que contou com a participação de 5.500 profissionais da área. O seu maior objetivo e motivador profissional é a valorização da classe, por meio da excelência de atendimento e pacientes plenamente satisfeitos com seus novos resultados.

Para mais informações, acesse www.sucessodonto.com.br ou pelas redes sociais @rinovack.

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