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O Brasil é um país empreendedor. A pesquisa GEM 2025 estima que 43,8 milhões de brasileiros estejam à frente de negócios e aponta uma taxa de empreendedorismo de 31,6% da população adulta. É uma força econômica movida pela capacidade de identificar oportunidades e criar soluções. Mas, na era da inteligência artificial, criatividade sem qualificação pode não ser suficiente.
A IA deixou de ser promessa. Entre as empresas industriais brasileiras com cem ou mais empregados, o uso da tecnologia saltou de 16,9%, em 2022, para 41,9%, em 2024, segundo o IBGE. Ela já chega às vendas, ao atendimento, à gestão e à análise de dados. Para os pequenos negócios, pode reduzir custos, elevar a produtividade e melhorar decisões. Também pode ampliar a distância entre quem domina essas ferramentas e quem não sabe aplicá-las.
O desafio é também educacional e profissional. O Fórum Econômico Mundial estima que 39% das competências exigidas no trabalho mudarão até 2030. De cada cem trabalhadores, 59 precisarão de qualificação ou requalificação; 11 poderão não ter acesso a ela. Para 63% dos empregadores, a lacuna de competências já é o principal obstáculo à transformação dos negócios.
No Brasil, essa transição ocorre sobre desigualdades antigas. A TIC Domicílios 2024 mostra que 10% da população nunca acessou a internet. Entre pessoas analfabetas ou com educação infantil, o índice chega a 57%; entre aquelas com ensino fundamental, a 18%. Metade dos que nunca usaram a rede aponta como principal motivo não saber utilizá-la. Falar em IA sem discutir formação é criar nova exclusão.
O país tem potencial. No Índice Global de Inovação 2025, o Brasil ocupa a 52ª posição entre 139 economias e é o segundo colocado na América Latina e no Caribe. Entretanto, aparece em 63º lugar nos recursos para inovar e em 50º nos resultados. Produzimos mais do que nossa estrutura favorece — sinal de talento, mas também de potencial desperdiçado.
A resposta exige a união de escolas, universidades, empresas, entidades empresariais e poder público. A capacitação em IA deve chegar ao empreendedor da periferia, ao estudante e ao pequeno empresário. Não basta ensinar ferramentas. É preciso desenvolver pensamento crítico, gestão, ética e visão de negócios.
A inteligência artificial não diminuirá a vocação empreendedora brasileira. Mas a falta de preparo pode limitar sua trajetória. O futuro pertencerá a quem souber transformar tecnologia em produtividade, inovação, renda e desenvolvimento.
Link: https://dcomercio.com.br/publicacao/s/empreender-na-era-da-ia-exige-mais-do-que-criatividade
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