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O aumento recorde das recuperações judiciais no Brasil começa a produzir efeitos que vão além da reestruturação financeira das empresas em crise. Em um ambiente marcado por juros elevados, crédito mais restrito e investidores cada vez mais seletivos, o avanço das dificuldades financeiras vem pressionando valuations e alterando a dinâmica do mercado de fusões e aquisições (M&A).
Segundo levantamento da Serasa Experian, o país registrou mais de 2.200 pedidos de recuperação judicial em 2025, o maior volume da série histórica. O movimento continua em 2026, acompanhado pelo crescimento da inadimplência empresarial e pelo aumento das dificuldades de liquidez enfrentadas principalmente por médias empresas e companhias altamente alavancadas.
Ao mesmo tempo, dados da KPMG mostram que o mercado brasileiro manteve ritmo relevante de transações, com 330 operações de fusões e aquisições registradas apenas no primeiro trimestre de 2026. Embora o interesse dos investidores permaneça elevado em diversos segmentos, o perfil das análises mudou significativamente.
“O mercado mudou completamente. Hoje o investidor não compra apenas crescimento, ele compra previsibilidade, governança e segurança operacional. Empresas que chegam despreparadas para uma venda acabam sofrendo descontos enormes no valuation, ou simplesmente deixam de atrair compradores”, afirma Lucas Mendes, CEO da Helping Hand e especialista em preparação de empresas para venda.
O cenário também impulsiona o chamado distressed M&A, modalidade em que empresas pressionadas financeiramente se tornam alvo de aquisições com valores significativamente reduzidos. Casos recentes envolvendo companhias dos setores industrial, varejista e financeiro reforçam essa tendência.
A recuperação judicial da Americanas segue como um dos exemplos mais emblemáticos dos impactos que falhas de governança podem provocar sobre valor de mercado, credibilidade e capacidade de atração de investimentos. Outro caso que movimentou o ambiente empresarial foi o do Grupo Fictor, que ingressou em processo de recuperação judicial envolvendo passivos bilionários, refletindo o ambiente de maior pressão financeira enfrentado por grupos altamente alavancados.
Para especialistas, o avanço das recuperações judiciais está provocando uma mudança estrutural na forma como investidores avaliam empresas. Indicadores como geração de caixa, qualidade da governança, dependência dos sócios, concentração de clientes, maturidade operacional e capacidade de execução ganharam peso nas análises de risco.
“O empresário brasileiro ainda olha muito para faturamento, mas o mercado de M&A olha para risco. E risco reduz valuation. Uma empresa pode faturar milhões e ainda assim valer menos do que concorrentes menores, simplesmente porque não possui governança, organização financeira ou previsibilidade operacional”, destaca Mendes.
A Helping Hand, consultoria especializada em preparação de empresas para crescimento, valuation e venda estratégica, relata aumento na procura por empresários interessados em estruturar seus negócios antes de iniciar processos de captação, sucessão ou venda.
Segundo a empresa, entre os fatores mais observados pelos investidores em 2026 estão governança corporativa, previsibilidade financeira, redução de passivos ocultos, profissionalização da gestão, geração consistente de caixa e menor dependência da figura do fundador.
O movimento acompanha uma tendência observada globalmente. Dados da PwC indicam que fundos de private equity e investidores estratégicos continuam atentos a oportunidades de aquisição, especialmente nos segmentos de tecnologia, serviços, saúde e indústria. No entanto, o apetite por risco diminuiu, elevando a exigência sobre a qualidade dos ativos avaliados.
Nesse contexto, especialistas defendem que a preparação empresarial deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar um requisito de sobrevivência em um mercado mais rigoroso.
“O empresário precisa entender que preparação para venda não começa quando ele quer vender. Começa anos antes. As empresas que conseguem atravessar momentos econômicos difíceis são justamente aquelas que se prepararam antecipadamente, construíram processos sólidos e criaram uma operação que funciona sem depender exclusivamente dos sócios”, conclui Lucas Mendes.
Sobre a Helping Hand
A Helping Hand é uma empresa brasileira especializada em fusões e aquisições (M&A) e na preparação de empresas para venda. Fundada por Lucas Mendes, em Campinas (SP), atua com foco em pequenas e médias empresas (PMEs), oferecendo diagnóstico, estruturação estratégica e condução de processos de venda. Com mais de 10 mil negócios diagnosticados e cerca de R$ 5 bilhões em contratos assessorados, a companhia busca ampliar o acesso ao mercado de M&A no Brasil, preparando empresas para transações mais estruturadas e alinhadas ao seu potencial de valor.
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