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O sistema financeiro brasileiro atravessa um momento de transformação estrutural. O Banco Central avança na evolução regulatória do ecossistema de fintechs, BaaS e arranjos de pagamento ao mesmo tempo em que o país inicia a implementação de uma nova arquitetura tributária.
Embora essas agendas pareçam distintas, elas convergem em um ponto central da infraestrutura financeira. O momento da liquidação das transações passa a concentrar responsabilidades regulatórias, operacionais e fiscais.
Nos últimos anos, o crescimento acelerado do mercado de pagamentos trouxe inovação, novos modelos de negócio e maior competição. Ao mesmo tempo, esse movimento também revelou a necessidade de fortalecer padrões de governança e de responsabilidade operacional dentro do sistema financeiro.
O momento da liquidação ganha protagonismo
A evolução recente da regulação reforça justamente esse processo. A responsabilidade pela liquidação e pelo credenciamento das operações passa a estar diretamente vinculada aos participantes autorizados do Sistema de Pagamentos Brasileiro e do Sistema de Pagamentos Instantâneos. Com isso, reduz-se a assimetria de governança que existia em alguns modelos de operação e se fortalece a previsibilidade institucional do sistema.
Esse avanço contribui para consolidar um ambiente financeiro mais transparente, com maior clareza sobre responsabilidades e fluxos operacionais.
Em paralelo, a Reforma Tributária introduz uma mudança relevante na dinâmica das transações econômicas. Com a implementação do mecanismo conhecido como split payment, pagamento, documento fiscal e recolhimento tributário passam a se conectar diretamente no momento da transação.
O tributo deixa de aparecer apenas como uma etapa posterior do ciclo financeiro e passa a integrar o próprio fluxo de liquidação.
Essa evolução altera a forma como empresas organizam suas operações financeiras e fiscais. Fluxo de caixa, capital de giro, previsibilidade financeira e conciliação entre áreas fiscal e financeira passam a depender de uma integração muito mais direta entre infraestrutura de pagamentos e gestão tributária.
Para setores como varejo e indústria, essa transformação tende a estimular um novo nível de organização operacional. Cadeias produtivas, sistemas de faturamento e estruturas de pagamento passam a operar de forma cada vez mais integrada, com maior rastreabilidade das transações e maior previsibilidade dos fluxos financeiros.
A infraestrutura financeira deixa de ser apenas um mecanismo de processamento de pagamentos e passa a assumir um papel mais amplo dentro da governança das empresas.
A discussão que se abre para o mercado não é se o ambiente ficou mais complexo. O ponto central é entender se as estruturas atuais estão preparadas para esse novo grau de integração entre regulação, liquidação e tributação.
A maturidade passa a ser um diferencial competitivo
Durante muitos anos, a inovação no setor financeiro esteve associada principalmente à experiência do usuário, à velocidade das transações e à redução de custos operacionais. Esses fatores continuam relevantes, mas a próxima etapa do mercado tende a valorizar também previsibilidade, segurança jurídica e rastreabilidade.
A competitividade começa a se deslocar gradualmente da disputa por eficiência transacional para a capacidade de oferecer infraestrutura confiável dentro de um ambiente regulatório e fiscal cada vez mais conectado.
Essa mudança de lógica atinge diferentes atores do ecossistema financeiro e produtivo. Fintechs, operadores de pagamento, varejistas e indústrias passam a conviver com uma realidade em que operações financeiras e obrigações fiscais se aproximam no tempo e na lógica operacional.
O sistema financeiro brasileiro avança para uma etapa em que inovação, governança e integração institucional passam a caminhar juntas. Pagamentos, regulação e tributação começam a se aproximar dentro da mesma infraestrutura operacional e isso tende a redefinir a forma como empresas organizam suas transações, seus fluxos financeiros e suas estruturas de controle.
A transformação já está em curso. A pergunta que começa a surgir para o mercado é direta. Quem está realmente preparado para essa nova etapa do sistema financeiro brasileiro?
No Pinbank, o especialista em estratégia de dados pela Universidade da Califórnia assumiu como CEO, em 2022, com foco em inovação e abertura de novos mercados, inserindo a instituição financeira no circuito do DREX, pix e adquirentes diretos, cartões de crédito e contas digitais.
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