23/06/2026
Queda da Selic alivia crédito mas não salva empresas sem controle financeiro

Especialista alerta que falhas em fluxo de caixa, precificação e planejamento tributário continuam comprometendo pequenos e médios negócios mesmo com juros menores

A recente redução da taxa Selic para 14,50% ao ano, anunciada pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central no fim de abril, reacendeu o debate sobre o fôlego que a queda dos juros pode trazer para empresas pressionadas por crédito caro, capital de giro apertado e margens comprimidas. Na prática, porém, a melhora monetária tende a ter alcance limitado para negócios que operam sem controle financeiro, com precificação equivocada e baixa previsibilidade de caixa.

Para Fabinho Nascimento, especialista em contabilidade, gestão financeira, planejamento empresarial e CEO do Grupo FN, um hub de soluções empresariais com atuação no Brasil e nos Estados Unidos, a leitura de parte do empresariado ainda ignora um ponto central, os juros menores não resolvem problemas estruturais internos. “Existe uma falsa sensação de que a queda da Selic automaticamente melhora a saúde da empresa. Isso não acontece quando o negócio não sabe exatamente quanto gera de margem, quanto consome em despesas fixas ou qual é sua real necessidade de capital de giro. O dinheiro pode até ficar marginalmente menos caro, mas a desorganização continua custando muito.”

O problema não está apenas no custo do dinheiro

Dados do Banco Central mostram que o saldo das operações de crédito para pessoas jurídicas permanece elevado, refletindo a dependência de financiamento por parte de empresas que operam pressionadas por capital de giro e custos financeiros ainda altos. Nesse contexto, a redução da Selic tende a aliviar parte dessa pressão, mas especialistas alertam que o acesso a crédito, por si só, não corrige falhas estruturais de gestão.

Segundo Fabinho, um dos erros mais frequentes está na confusão entre faturamento e lucro real. Empresas que ampliam vendas sem rever custos, impostos, prazos de recebimento e estrutura operacional podem crescer apenas em volume, sem gerar caixa. “Muitos empresários olham para o faturamento como sinônimo de sucesso, mas ignoram que vender mais sem gestão pode acelerar a deterioração financeira. O caixa sofre silenciosamente.”

Vender mais pode aumentar prejuízos

Em setores competitivos, é comum que empresários reduzam preços para manter volume comercial sem recalcular impactos tributários, custos indiretos ou despesas administrativas. O resultado costuma aparecer meses depois, com dificuldade para cumprir obrigações básicas, negociar fornecedores ou acessar crédito em condições sustentáveis.

A redução da Selic ocorre em um momento em que o Banco Central ainda mantém política monetária restritiva, com cautela diante das incertezas inflacionárias e geopolíticas. Isso significa que, embora o custo do dinheiro tenha recuado, o ambiente financeiro continua exigente para empresas com baixa capacidade de planejamento.

Para Fabinho, a discussão deveria sair do foco exclusivo no crédito e migrar para a disciplina de gestão. “A empresa quebra menos por falta de faturamento e mais por falta de controle. Sem fluxo de caixa projetado, planejamento tributário coerente e leitura clara dos números, qualquer melhora macroeconômica vira apenas um alívio temporário.”

Ele afirma que pequenas e médias empresas costumam reagir tardiamente aos sinais de deterioração financeira, recorrendo a empréstimos quando o caixa já está comprometido. “Crédito pode ser ferramenta estratégica quando existe método. Sem organização, ele vira apenas combustível para prolongar uma crise que já começou”, conclui.

Sobre Fabinho Nascimento

Fabinho Nascimento, 44 anos, é contador e CEO do Grupo FN. Com formação em Ciências Contábeis, pós-graduação em Planejamento e Controle Empresarial e especializações pela MBM Master Business School e MBM Advanced, atua há mais de duas décadas no desenvolvimento e na estruturação de empresas.

À frente do Grupo FN, liderou a transição de uma contabilidade tradicional para um hub de soluções empresariais com atuação no Brasil e nos Estados Unidos. É idealizador e mentor do Impacto Club, associado ao MLS e Energy Club, sócio do FIRE Club, ligado à MLS de Joel Jota, Caio Carneiro e Flávio Augusto, além de sócio equity do ABS.

Também é colunista do programa Manhã na Band e da Revista LIFE, e integra o Grupo do Master de Contabilidade, formado pelos 150 maiores contadores do Brasil.

O empresário mantém atuação voltada ao desenvolvimento empresarial e à formação de empresários por meio de ambientes estratégicos de networking e capacitação.

Para saber mais, acesse o linkedin ou pelo instagram.

Sobre o grupo FN

Fundado em 1993, o Grupo FN é um hub de soluções empresariais com atuação no Brasil e nos Estados Unidos. Com mais de 1.500 clientes ativos e cerca de 100 colaboradores, reúne serviços integrados nas áreas de contabilidade consultiva, BPO financeiro, tributário, legalização, soluções de RH, certificado digital, treinamentos empresariais e estruturação internacional por meio da FN EUA.

A empresa surgiu como Contabilidade FN, fundada pelo pai de Fabinho Nascimento, e evoluiu para um ecossistema empresarial que integra tradição familiar e inovação estratégica. O grupo atua como parceiro consultivo, apoiando empresários na tomada de decisão, organização financeira, inteligência tributária e crescimento estruturado.

Com foco em análise de dados, atendimento próximo e visão de longo prazo, o Grupo FN se posiciona como um ambiente de suporte estratégico para empresas que buscam previsibilidade, eficiência e expansão sustentável.

Para saber mais, acesse o site, linkedin ou pelo instagram.

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Os artigos aqui apresentados representam a opinião do autor, não cabendo ao Guia dos Contadores responsabilidade pelos mesmos.


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