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De acordo com o Banco Central, o Open Finance já movimenta mais de R$ 30 bilhões em operações de crédito originadas a partir do compartilhamento de dados financeiros no Brasil. Mesmo assim, boa parte dos consumidores ainda enxerga a ferramenta com desconfiança ou não sabe como ela pode ajudar a conseguir melhores condições de crédito.
O principal motivo para isso é simples: muita gente ainda acredita que compartilhar dados financeiros significa perder privacidade ou abrir acesso irrestrito à vida bancária. Mas não é assim que o sistema funciona.
Na prática, o Open Finance permite que o consumidor autorize, de forma segura, o compartilhamento de informações entre instituições financeiras. E existe um detalhe importante: o dono dos dados continua sendo o próprio cliente.
Isso significa que ninguém pode acessar suas informações sem autorização. Além disso, o consumidor escolhe quais dados deseja compartilhar, com quem e por quanto tempo. A autorização também pode ser cancelada a qualquer momento. Mas afinal, por que alguém compartilharia seus dados?
A resposta está na forma como bancos e instituições analisam pedidos de crédito. Quanto mais informações confiáveis uma instituição possui sobre o comportamento financeiro de uma pessoa, maior tende a ser sua capacidade de oferecer condições adequadas à realidade daquele cliente. Na prática, o Open Finance funciona quase como um “currículo financeiro”.
Imagine uma pessoa que recebe salário regularmente, paga contas em dia, mantém boa movimentação bancária e possui histórico positivo em outras instituições. Quando essas informações são compartilhadas, sempre mediante autorização, a análise de risco se torna mais precisa. E isso pode gerar benefícios concretos, como juros menores, maior chance de aprovação e ofertas mais personalizadas.
Durante muito tempo, o sistema financeiro operou com uma visão limitada do consumidor. Muitas instituições avaliavam apenas o relacionamento interno que tinham com aquele cliente. Ou seja: mesmo que a pessoa tivesse um bom histórico em outro banco, isso nem sempre era considerado. O Open Finance começou a mudar essa lógica ao permitir que o consumidor “leve” seu histórico financeiro para diferentes instituições.
Entretanto, ainda existe receio em relação ao compartilhamento de dados financeiros, principalmente diante do aumento de golpes digitais. Mas o Open Finance opera dentro das regras estabelecidas pelo Banco Central e utiliza protocolos de segurança semelhantes aos já adotados pelo sistema bancário.
Isso não significa que o consumidor deve autorizar qualquer compartilhamento sem atenção. Antes de aceitar, é importante entender quais informações estão sendo solicitadas, qual instituição terá acesso aos dados e qual será o objetivo daquele compartilhamento.
O sistema existe com o propósito de viabilizar análises mais justas e menos genéricas. E no fim, o maior avanço talvez seja justamente esse: permitir que um bom histórico financeiro trabalhe a favor do consumidor.
Quanto maior a transparência sobre a realidade financeira de cada pessoa, maior tende a ser a possibilidade de acesso a crédito mais adequado, com condições mais competitivas e alinhadas à capacidade de pagamento de cada cliente.
Sobre o Túlio Matos
Túlio Matos é CEO e cofundador da iCred, fintech que simplifica o crédito consignado e pessoal no Brasil por meio de uma originação multicanal que integra rede de correspondentes bancários, canais digitais e parcerias B2B2C. Graduado em Marketing pela FANESE (Faculdade de Administração e Negócios de Sergipe) e com formação executiva em Negociação pela University of Michigan, atua há mais de 20 anos no setor financeiro com foco em ampliar o acesso ao crédito em cidades pequenas e médias. Sob sua liderança, a iCred tornou-se uma das principais plataformas de crédito do país, com operação presente em milhares de municípios, milhões de clientes atendidos, funding institucional proprietário e participação ativa em agendas regulatórias por meio da ANEPS, ABCD e ABBC.
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