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Fazer negócios no Brasil é uma atividade que exige, simultaneamente, habilidade para navegar em meio um dos ambientes regulatórios mais difíceis do mundo e, apesar disso, continuar gerando valor. De acordo com o Tax Complexity Project, índice desenvolvido pelo instituto alemão Accounting for Transparency, a legislação tributária brasileira ranqueia entre as mais complexas internacionalmente. Para empresas que planejam se expandir, a resposta está sendo encontrada na terceirização financeira.
Novos negócios, mais funcionários e faturamentos maiores exigem uma gestão fiscal mais cuidadosa para que a exposição seja mínima e a empresa evite penalizações e desgastes. Tradicionalmente, isso significa que, para crescer, a organização precisa investir na área contábil e se adequar ao novo estágio, um processo que, muitas vezes, acaba travando a própria expansão.
Diante desse cenário, o mercado brasileiro já entendeu que a escalabilidade é uma habilidade decisiva, o que tem incentivado gestores a optarem pela terceirização como forma de maximizar os esforços destinados às operações financeiras. Ao confiar essa tarefa para uma empresa especializada, eles ganham a segurança de que o compliance vai acompanhar o planejamento, reduzindo os riscos jurídicos.
Antecipando as mudanças
A escalabilidade e a capacidade de adaptação contábil têm uma importância que vai além da tributação brasileira. Fatores como a reforma tributária, acordos internacionais semelhantes ao União Europeia-Mercosul e mudanças internas nos processos de faturamento de fornecedores mostram como essas habilidades são necessárias para posicionar a empresa ao redor do mundo.
As mudanças frequentes e estruturais abrem espaços para que surjam inconsistências de conformidade dentro da companhia, dificultando a padronização e a visibilidade dos negócios. Quando esses obstáculos aparecem, eles logo se manifestam na forma de uma redução silenciosa da eficiência operacional e no aumento da exposição a penalidades contratuais ou fiscais.
Para que a empresa cresça e gere valor nesse ambiente, a área contábil precisa ir além da postura reativa, antecipando-se às mudanças e acompanhando as normas regulatórias. É aí que entra a escalabilidade, pois ela permite agir de forma preventiva com maior agilidade.
Neste sentido, o crescimento dos mercados de Business Process Outsourcing (BPO) e Business Transformation Outsorcing (BTO) têm acompanhado a evolução do conhecimento contábil. Conforme estes conceitos ganharam mais relevância e profissionais passaram a se especializar neles, muitas empresas perceberam que extrairiam melhores resultados contratando uma organização externa especializada nesta proposta do que construindo o seu escritório contábil particular.
Um ambiente difícil, mas que vale a pena
Apesar da complexidade legislativa, o mercado brasileiro é lucrativo e recompensa quem entende a fundo o ambiente tributário e regulatório. Um estudo da consultoria global PwC analisou os balanços de 2024 de 348 empresas de capital aberto no Brasil, constatando que o crescimento médio da EBITDA para essas organizações foi de 10.1 pontos percentuais.
Esses dados indicam que vale a pena dominar essa complexidade fiscal para usufruir dos frutos do mercado nacional, visto que, além de normas extensas, esse ambiente criou uma geração de profissionais contábeis especializados em resolver e prever problemas.
Quem quer crescer no Brasil já está no caminho certo, mas precisa enxergar o papel da contabilidade e da escalabilidade dentro deste objetivo. Para isso, é preciso investir em processos estruturados e monitoramento contínuo, assim as empresas passam a identificar riscos antes que se tornem passivos, reduzindo a exposição financeira, aumentando a previsibilidade jurídica e liberando a organização para atingir o seu melhor potencial.
Renato Halt é Presidente de Business Transformation Outsourcing (BTO) na H&CO, empresa multinacional de consultoria global, tecnologia e terceirização de serviços profissionais.
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