16/06/2026
Copa do Mundo pode elevar custos logísticos e testar a preparação das empresas brasileiras

Pressão sobre transporte internacional e cadeias globais de suprimentos exige planejamento antecipado de importadores e exportadores para evitar prejuízos

A realização da Copa do Mundo de 2026 acontece em um momento de aumento das incertezas no comércio internacional, os relatórios divulgados pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) apontam que o crescimento do comércio global deve desacelerar neste ano em meio a tensões geopolíticas, novas barreiras comerciais e desafios logísticos que afetam cadeias de suprimentos em diferentes regiões do mundo. Nesse contexto, grandes eventos internacionais tendem a ampliar a demanda por transporte, armazenagem e infraestrutura, aumentando a pressão sobre operações que já enfrentam gargalos estruturais.

Para Ronaldo Felix, especialista com mais de 21 anos de experiência em logística, distribuição, comércio exterior e diretor de Operações da Saygo Group, a combinação entre um ambiente global mais instável e a movimentação gerada pela Copa exige atenção redobrada das empresas brasileiras.

“Muitas companhias ainda enxergam a logística apenas como uma etapa operacional. Mas, em momentos de maior pressão sobre as cadeias globais, ela se torna um fator estratégico que impacta diretamente custos, prazos e competitividade.”

Pressão logística vai além dos setores ligados ao esporte

A movimentação de equipamentos, estruturas temporárias, alimentos, tecnologia, materiais promocionais e milhares de fornecedores aumenta a demanda por serviços logísticos em mercados estratégicos, especialmente na América do Norte.

Segundo o especialista, os reflexos podem ser sentidos também por empresas brasileiras que atuam com importação e exportação. “Quando existe uma concentração muito grande de demanda em determinados corredores logísticos, a tendência é observar maior disputa por capacidade operacional. Isso pode afetar a disponibilidade de transporte, armazenagem e até cronogramas de embarque.”

O alerta ocorre em um momento em que a própria UNCTAD vem destacando o aumento da vulnerabilidade das cadeias globais diante de conflitos geopolíticos, interrupções em rotas comerciais e mudanças regulatórias que afetam o fluxo internacional de mercadorias.

Falta de planejamento pode gerar custos extras

O diretor afirma que a ausência de planejamento costuma gerar aumento de custos e perda de previsibilidade. “O erro mais comum é agir apenas quando os problemas aparecem. Quem deixa para negociar fretes, revisar contratos ou avaliar alternativas logísticas em cima da hora normalmente encontra menos opções e custos maiores”, afirma.

Entre as medidas recomendadas estão a antecipação de compras estratégicas, a diversificação de fornecedores, a revisão de estoques críticos e a construção de planos de contingência para eventuais atrasos operacionais.

Inteligência operacional se torna diferencial competitivo

Além do planejamento, cresce a importância do uso de dados para monitorar riscos e identificar possíveis gargalos antes que eles afetem a operação. Ferramentas de acompanhamento em tempo real e análises preditivas vêm ganhando espaço entre empresas que atuam no comércio exterior.

Para Ronaldo, a previsibilidade será um dos ativos mais importantes para os negócios nos próximos meses. “Empresas que conseguem antecipar movimentos do mercado e ajustar rapidamente suas operações têm mais condições de proteger margens, cumprir prazos e manter a confiança dos clientes.”

Ele avalia que a logística deixou de ser apenas uma área de suporte para assumir papel central nas estratégias de crescimento. “A Copa é apenas um dos fatores que aumentam a pressão sobre as cadeias globais. O que realmente diferencia as empresas é a capacidade de se preparar antes que os gargalos apareçam. Quem espera a crise chegar normalmente paga mais caro por ela”, conclui.

Sobre Ronaldo Felix

Ronaldo Felix acumula mais de 21 anos em operações, passando por cargos de liderança como Ambev, Flora e IS Entrega, atuando em grandes projetos de logística, prevenção de perdas, distribuição e dados. Atualmente é sócio e Diretor de Operações na Saygo Group.

Para mais informações, visite o Linkedin

Sobre a Saygo

A Saygo é uma holding brasileira especializada em comércio exterior, formada pela unificação da Proseftur Assessoria em Comércio Exterior e da Zebra Corretora de Câmbio. Com mais de 23 anos de experiência, a empresa oferece soluções integradas para importadores e exportadores, abrangendo assessoria em operações internacionais, serviços cambiais e desenvolvimento de tecnologias para otimização de processos globais. Seu compromisso é auxiliar empresas a ingressarem e expandirem suas atividades no mercado internacional, proporcionando estratégias inovadoras e suporte especializado.

Link:

Fonte:

Os artigos aqui apresentados representam a opinião do autor, não cabendo ao Guia dos Contadores responsabilidade pelos mesmos.


Envie para um amigo
Seu Nome
Seu Email
Email do amigo
FECHAR X - LISTAR TODAS