26/09/2025
Modelos de trabalho em reconstrução no Brasil

Flexibilidade, bem-estar e segurança jurídica: por que as empresas precisam liderar a próxima reforma dos modelos de trabalho e inspirar mudanças

O paradoxo atual

O trabalho mudou, mas os modelos de trabalho não acompanharam. Continuamos presos a estruturas de outro século — e o preço aparece em cada pesquisa de engajamento, nas conversas de corredor e nas demissões de profissionais, jovens ou experientes, que não se encaixam em modelos arcaicos.

A Gallup confirma essa sensação: no relatório State of the Global Workplace 2025, apenas 21% dos trabalhadores no mundo se declaram engajados. Entre gestores, a queda foi ainda mais dramática: de 30% para 27% em apenas um ano. Só um terço das pessoas sente que está “thriving”, ou seja, prosperando e vivendo uma vida plena. Essa desconexão não é apenas emocional: traduz-se também em perda de produtividade global.

Se nos mercados mais maduros a realidade já é preocupante, no Brasil ela é ainda mais desafiadora, onde muitas empresas ainda medem presença em vez de resultado ou impacto.

O ponto de partida brasileiro

A Lei 14.442/2022 trouxe avanços ao regulamentar o teletrabalho, reconhecendo diferentes modalidades de execução e garantindo prioridade a pais de crianças pequenas e pessoas com deficiência. Em 2021, o visto de nômade digital também abriu portas para talentos estrangeiros interessados em viver e trabalhar no país.

Mas ainda é pouco. O mundo do trabalho pede modelos que combinem segurança jurídica e flexibilidade, produtividade e bem-estar, vida profissional e pessoal.

O que o mundo já faz e os obstáculos que enfrenta

Singapura

Reino Unido

Portugal

França

Japão

Nova Zelândia

Onde estão os atritos

Trazer flexibilidade não é simples. Entre os pontos de tensão estão:

Atritos existem, mas podem ser tratados com políticas claras, métricas e diálogo.

Roteiro prático para empresas

As empresas têm o papel central de liderar a mudança, mesmo diante dos desafios. Para isso, precisam de uma estratégia estruturada:

  1. Diagnóstico: mapear funções elegíveis, ouvir colaboradores, entender demandas reais.

  2. Política clara de flexibilidade: critérios, prazos de resposta, justificativas de recusa, regras de desconexão, custeio de infraestrutura.

  3. Pilotos com métricas: testar modelos híbridos, semanas reduzidas, horários comprimidos, job sharing. Medir engajamento, produtividade, turnover e saúde mental.

  4. Capacitação de líderes: desenvolver competências para gestão por resultados, comunicação remota, rituais de feedback e cuidado com limites.

  5. Governança e compliance: ajustar contratos, registrar jornadas quando aplicável, prever ergonomia e infraestrutura.

  6. Articulação pública: pautar ajustes legais por meio de associações e conselhos: direito à flexibilidade, direito à desconexão, guias de teletrabalho e sandboxes regulatórios.

Um chamado à liderança

Flexibilidade sem responsabilidade é moda. Responsabilidade sem flexibilidade é passado.

O futuro do trabalho no Brasil pede empresas protagonistas — que testam, medem, aprendem e influenciam. Cabe às organizações pressionar por ajustes na CLT, trazer benchmarks internacionais e ajudar a construir políticas que protejam, mas também liberem talentos.

A régua já mudou. O que funcionava antes não funciona mais. E se as empresas quiserem garantir espaço no futuro do trabalho, é hora de liderar.

Link: https://mundorh.com.br/modelos-de-trabalho-em-reconstrucao-no-brasil/

Fonte:

As matérias aqui apresentadas são retiradas da fonte acima citada, cabendo à ela o crédito pela mesma.


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